De novo.
Mais uma vez, rejeição atrás de rejeição.
As frustrações acumuladas ao longo dos últimos dias finalmente derrubaram a última gota de compostura e paciência de Fabíola. Uma onda de calor e irritação subiu por todo o seu corpo.
O sorriso sumiu abruptamente do rosto dela, e ela avançou um passo agressivo, quase colando o corpo no dele.
— Narciso! Pare de usar sua esposa e seu sogro como desculpa!
— Eu sou tão repulsiva assim para você? A ponto de você me rejeitar uma vez atrás da outra?
Fabíola ergueu o rosto. Aqueles olhos que costumavam ser sedutores agora brilhavam com intensidade, fixos nele.
Seu peito subia e descia depressa, revelando o quanto estava tomada por uma raiva profunda.
— Narciso!
Fabíola o chamou pelo nome, carregada de fúria.
Narciso franziu a testa, como se realmente não entendesse por que ela estava tão alterada.
Fabíola estava furiosa.
— Você realmente não entende, ou está só se fazendo de tonto comigo?
Jocelino pareceu surpreso.
— Sra. Saramago... o que a senhora quer dizer com isso?
— Eu não estou entendendo.
Aquela cara inocente só serviu para jogar mais lenha na fogueira.
— Você ainda está fingindo comigo!
Fabíola soltou um riso cheio de desprezo, deu mais meio passo à frente, chegando tão perto que os dois quase podiam sentir a respiração um do outro.
De rosto erguido e olhar ardente, ela parou de fingir.
— Eu gosto de você!
Ela ia beijá-lo à força.
Com isso, pretendia obrigá-lo a encarar a situação e rasgar de vez aquela máscara ridícula de marido exemplar.
No entanto, no milésimo de segundo antes que seus lábios encostassem nele...
O olhar de Jocelino voltou a ficar perfeitamente lúcido. No mesmo ritmo veloz com que ela avançou, ele desviou para o lado com um reflexo impressionante, girou os pulsos e, com um movimento rápido e preciso, soltou-se facilmente da força dela, aproveitando o embalo para empurrá-la um passo para trás.
Fabíola sentiu apenas um leve choque de dormência nas mãos. Toda a força com que o segurava desapareceu num instante, e ela agarrou apenas o vazio. Por causa da inércia, cambaleou levemente para a frente, e seus lábios apenas roçaram de forma quase imperceptível a bochecha dele, que já havia se esquivado, encontrando apenas o ar frio.
A tentativa falhou.
Empurrada pelo movimento dele, Fabíola cambaleou e, quando conseguiu recuperar o equilíbrio, seu rosto era uma mistura de choque e humilhação profunda, alternando entre vermelho e pálido.
Jocelino já havia recuado para uma distância segura. Seu rosto escureceu, e ele levantou o braço para limpar com a manga do paletó o ponto da bochecha que havia sido roçado pela respiração dela. Seu olhar transbordava distância, com um aviso severo, e sua voz saiu fria e dura:
— Sra. Saramago, por favor, comporte-se.
Ao ver a rejeição quase absoluta e a repulsa escancarada na postura dele, o desejo de conquista e destruição dentro de Fabíola só aumentou.

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