— Ficamos nas sombras por tempo demais. Agora, finalmente, vamos puxar a rede.
— É uma oportunidade que talvez só apareça uma vez. Temos que agarrá-la. Não podemos falhar.
A voz de Jocelino não era alta, mas trazia um peso incontestável.
— Muita coisa está ligada a essa velha raposa. Desde a troca dos bebês da família Oliveira anos atrás, passando pelo assassinato de Flávia Porto, até as inúmeras vezes em que Aeliana correu risco de vida... tudo, absolutamente tudo, leva a ele.
— Só quando o colocarmos as mãos nele é que toda a verdade vai vir à tona.
Enquanto falava, Jocelino voltou o olhar para Wallace e Décio. A dureza em sua voz diminuiu um pouco, dando lugar a uma preocupação e a um senso de responsabilidade ainda mais claros.
— Mas, por outro lado, por mais que a gente queira capturá-lo, há uma premissa que não podemos esquecer.
— Segurança.
— Especialmente a segurança da Aeliana.
Jocelino se inclinou levemente para a frente, tamborilando os dedos sobre a mesa sem perceber.
Ele não tinha esquecido que Aeliana estava infiltrada na Villa Atlântica apenas para descobrir informações sobre Sr. Marques.
— Ela está bem no covil do lobo. É nossos olhos e ouvidos lá dentro, mas também é quem corre o maior risco.
— Mesmo que essa operação fracasse e ele escape, ainda teremos outras oportunidades no futuro. Mas Aeliana não pode sofrer nem o menor arranhão.
Ele olhou para Wallace e Décio com determinação inabalável nos olhos:
— Qualquer plano precisa passar primeiro pelo critério da segurança dela.
— Se em algum momento houver o menor sinal de que a vida da Aeliana está ameaçada, não hesitem. Cancelem tudo na mesma hora. A prioridade absoluta é tirá-la de lá em segurança.
— Fui claro?
Wallace encarou o homem à sua frente. Jovem, mas já capaz de controlar o quadro inteiro. Num momento tão crítico, ele não se deixava cegar nem pela urgência de tantos anos buscando a verdade, nem pela euforia de finalmente ter o inimigo ao alcance. Em vez disso, colocava a segurança de Aeliana acima de tudo. O velho sentiu o peito apertar de leve.
— Sr. Barreto, Sr. Wallace, podem ficar tranquilos. Sabemos muito bem o que fazer.
— Toda a movimentação e toda a operação externa serão ensaiadas até a exaustão. Vamos garantir que a Dra. Oliveira não seja exposta nem acabe encurralada.
— E, se chegar a esse ponto, o senhor nem precisa pedir. Nós daremos a vida para trazê-la de volta em segurança.
Jocelino assentiu.
— Ótimo.
O olhar dele voltou para a escuridão da noite além da janela, como se pudesse enxergar através da distância, vendo ao mesmo tempo a luxuosa prisão escondida no Parque do Sol Nascente e o cassino cercado de letreiros de neon na Vila das Nuvens Cinzentas.
Então pronunciou duas palavras lentamente. O som não foi alto, mas pareceu pesar uma tonelada dentro do escritório silencioso.
— Três dias.
— Daqui a três dias, seja no Parque do Sol Nascente ou no Cassino Noite de Cristal... vamos puxar a rede

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