Mais do que se preocupar com o suspeito Narciso, talvez o mais importante naquele momento fosse manter os olhos bem abertos sobre o Brasil.
Os olhos de Leonardo brilharam com uma frieza cortante.
Jocelino...
Ele caminhou rapidamente até a mesa e pressionou um botão oculto na borda.
Quase sem fazer barulho, seu homem de confiança surgiu silenciosamente à porta.
— Avise o pessoal da Vila das Nuvens Cinzentas que voltarei pontualmente em três dias.
— Ordene que iniciem os preparativos finais do plano original, com prioridade máxima.
— Reforcem a vigilância sobre o Grupo Barreto.
— Lembre-se: esse assunto é ultrassecreto. Não podemos cometer nenhum erro.
— Sim, senhor! Entendido!
O subordinado pegou o papel com as instruções, deu apenas uma olhada, não disse mais nada, fez uma reverência e se retirou tão silenciosamente quanto havia chegado.
O quarto voltou a ficar apenas com Leonardo.
Ele foi até a porta de vidro e olhou para o luar frio e melancólico de uma terra estrangeira. No vidro, refletia-se seu perfil profundo e indecifrável.
Vila das Nuvens Cinzentas... aquele lugar cheio de desejo, oportunidade e perigo. Em breve, ele estaria de volta.
Uma grande trama, planejada durante anos, envolvendo muitas pessoas e objetivos de longo alcance, estava prestes a abrir oficialmente as cortinas com o seu retorno.
A família Barreto, Jocelino, Aeliana e também aquele misterioso Narciso... todos se tornariam peças naquele grande tabuleiro.
O olhar de Leonardo escureceu.
Ele tinha uma vaga sensação de que, ao voltar para a Vila das Nuvens Cinzentas desta vez, talvez não enfrentasse apenas Jocelino, aquele adversário jovem, mas espinhoso. Por trás disso, poderia haver segredos ainda mais profundos da família Barreto, assuntos do passado sobre os quais até o Chefe evitava falar.
Jocelino e Wallace já a esperavam ali.
Na pequena sala, as janelas estavam totalmente vedadas por cortinas pesadas. Havia apenas uma luminária de mesa derramando um halo de luz amarelada. O ambiente era tenso e concentrado, com um leve cheiro de tabaco no ar.
— Sr. Wallace, Jocelino.
Aeliana fechou bem a porta, trancou-a, soltou um suspiro de alívio e tirou o lenço velho da cabeça, revelando o rosto delicado.
— Aeliana, obrigado pelo esforço. O caminho até aqui foi seguro?
Wallace perguntou com preocupação, indicando a cadeira ao lado para que ela se sentasse.
— Foi, sim.
Como já tinha experiência em ser seguida, Aeliana receava que aquilo pudesse se repetir. Por isso fez várias voltas de propósito e só entrou depois de confirmar que não havia ninguém em seu encalço.

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