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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1515

Aeliana pegou o copo d’água que Jocelino lhe entregou e, ao sentir a temperatura estável da palma da mão dele roçando em seus dedos, seus nervos tensionados relaxaram um pouco.

Ela baixou a cabeça e tomou um pequeno gole. O líquido morno deslizou pela garganta, acalmando um pouco seus pensamentos confusos.

Quando ergueu os olhos, encontrou o olhar atento de Jocelino.

Ele usava uma camisa escura simples, com a gola levemente aberta. Talvez pelo tempo que passaram sem se ver, havia no olhar dele uma ternura a mais quando a encarava.

Aquilo amoleceu o coração de Aeliana.

Ela pousou o copo e suavizou a voz:

— Fiquem tranquilos, está tudo bem lá na mansão.

As coisas estavam correndo de forma mais tranquila do que imaginavam.

— O humor da Amália tem estado mais estável nesses últimos dias. Ela está comendo bem e gostando muito da comida que eu preparo.

Inclinando levemente a cabeça, Aeliana mostrou um sorriso suave, um pouco resignado.

— Talvez por saber que o pai está voltando, ela esteja se sentindo mais segura. Até a desconfiança que tinha de mim parece ter diminuído um pouco.

— Acho que, no curto prazo, ela não vai suspeitar de mim.

— Que bom.

Jocelino respondeu em voz baixa, num tom mais suave que o habitual.

A relação entre Amália e Aeliana era como água e óleo; as duas já tinham chegado a um ponto de inimizade mortal.

Como a Villa Atlântica era território inimigo, quando Aeliana decidiu se infiltrar ali sozinha, Jocelino, sinceramente, foi totalmente contra. Ficou com o coração apertado dia e noite.

Mas ele não conseguiu demovê-la, e também sabia que, de fato, ela era a pessoa mais adequada para aquilo...

Agora, ouvindo da própria Aeliana que tudo corria bem e vendo-a sã e salva diante dele, o coração angustiado de Jocelino finalmente se acalmou um pouco.

Em seguida, seu olhar se voltou para o mapa da Vila das Nuvens Cinzentas, aberto sobre a mesa.

O mapa já estava marcado com vários pontos e linhas em canetas de cores diferentes. À primeira vista, parecia confuso, mas havia lógica em tudo.

Enquanto Aeliana não saísse da Villa Atlântica, ele não conseguiria ficar em paz.

Um plano era um plano. Por mais completo que fosse, sempre podia haver imprevistos.

Sr. Marques era astuto, desconfiado e imprevisível.

No momento em que retornasse à Villa Atlântica, o lugar viraria uma verdadeira cova de leões.

Com Aeliana lá dentro, era como se ela estivesse andando no fio da navalha, sujeita a ser descoberta a qualquer instante por um detalhe inesperado. E se...

Ao pensar nisso, o coração de Jocelino apertou de um jeito difícil de descrever, tomado por uma preocupação profunda.

Ele sentiu que a escolha mais segura talvez fosse fazer Aeliana arrumar uma desculpa e deixar imediatamente aquele lugar perigoso.

Afinal, não havia nada mais importante do que a segurança dela.

Ele refletiu por um momento, tamborilando inconscientemente os dedos na mesa e, por fim, expressou sua preocupação, com uma rara hesitação na voz.

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