— Sr. Porto, por favor, vamos voltar!
— O tempo para ir ao banheiro já passou do limite. Seu advogado provavelmente já está esperando!
Ele se virou e seguiu na frente com passos pesados. Suas costas exalavam uma fúria contida.
Jocelino o acompanhou, pressionando o ferimento com passos firmes.
Ondas de dor vinham do braço, mas seu coração permanecia frio e calmo como gelo.
Os dois voltaram para a sala de interrogatório.
O ferimento no braço de Jocelino ainda sangrava.
O Sr. Lopes lhe entregou alguns lenços de papel. Jocelino os pegou, pressionou o corte e franziu a testa.
Não era fingimento. Doía de verdade.
A expressão do Sr. Lopes não estava nada boa. Ele ia dizer alguma coisa quando a porta se abriu novamente.
Dessa vez, quem entrou foi um policial jovem, com uma pasta na mão. Ele caminhou rapidamente até o lado do Sr. Lopes e sussurrou algo.
O Sr. Lopes assentiu. O policial então recuou para o lado, mas não saiu, permanecendo perto da porta como se estivesse esperando alguma coisa.
A atmosfera mudou de forma sutil.
Jocelino percebeu com precisão que a atenção do Sr. Lopes já não estava totalmente voltada para ele, mas sim... à espreita?
Por quê?
Antes que pudesse entender, o Sr. Lopes falou de repente:
— Sr. Porto, seu ferimento está muito ruim?
— Quer que eu chame um médico para cuidar disso?
— Foi por minha falta de atenção que o senhor se machucou. Que tal me dar uma chance de compensar e deixar que a equipe médica venha tratar disso?
Jocelino percebeu que o outro ainda não tinha desistido e, de jeito nenhum, se atreveria a deixar um médico mexer naquela ferida.
— Não precisa. É só um arranhão.
— Daqui a pouco o sangue estanca.
Jocelino balançou a cabeça, mas os alarmes continuavam disparando em sua mente.
Era óbvio que eles não tinham desistido, e ele não fazia ideia de qual seria o próximo passo.
Jocelino entendeu na mesma hora e estava prestes a explodir de raiva quando...
— Toc, toc, toc!
Batidas urgentes soaram à porta e, em seguida, ela se abriu. Um policial de meia-idade, vestindo o uniforme da corporação, colocou a cabeça para dentro.
— Sr. Lopes, o advogado do Sr. Porto chegou. Está esperando na sala de recepção.
O momento foi preciso demais.
Jocelino virou a cabeça bruscamente para a porta, depois voltou o olhar para o Sr. Lopes.
Os dedos do outro já tinham recuado, e entre eles mal se via um pequeno fio de cabelo preto.
O olhar de Jocelino congelou na hora.
Todo o disfarce, toda a cortesia, desapareceram naquele instante.
— Sr. Lopes.
Ele abriu a boca, com uma voz assustadoramente calma:
— As investigações da delegacia de vocês também incluem serviço de cabeleireiro?

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