Entrar Via

Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1562

— Sr. Porto, por favor, vamos voltar!

— O tempo para ir ao banheiro já passou do limite. Seu advogado provavelmente já está esperando!

Ele se virou e seguiu na frente com passos pesados. Suas costas exalavam uma fúria contida.

Jocelino o acompanhou, pressionando o ferimento com passos firmes.

Ondas de dor vinham do braço, mas seu coração permanecia frio e calmo como gelo.

Os dois voltaram para a sala de interrogatório.

O ferimento no braço de Jocelino ainda sangrava.

O Sr. Lopes lhe entregou alguns lenços de papel. Jocelino os pegou, pressionou o corte e franziu a testa.

Não era fingimento. Doía de verdade.

A expressão do Sr. Lopes não estava nada boa. Ele ia dizer alguma coisa quando a porta se abriu novamente.

Dessa vez, quem entrou foi um policial jovem, com uma pasta na mão. Ele caminhou rapidamente até o lado do Sr. Lopes e sussurrou algo.

O Sr. Lopes assentiu. O policial então recuou para o lado, mas não saiu, permanecendo perto da porta como se estivesse esperando alguma coisa.

A atmosfera mudou de forma sutil.

Jocelino percebeu com precisão que a atenção do Sr. Lopes já não estava totalmente voltada para ele, mas sim... à espreita?

Por quê?

Antes que pudesse entender, o Sr. Lopes falou de repente:

— Sr. Porto, seu ferimento está muito ruim?

— Quer que eu chame um médico para cuidar disso?

— Foi por minha falta de atenção que o senhor se machucou. Que tal me dar uma chance de compensar e deixar que a equipe médica venha tratar disso?

Jocelino percebeu que o outro ainda não tinha desistido e, de jeito nenhum, se atreveria a deixar um médico mexer naquela ferida.

— Não precisa. É só um arranhão.

— Daqui a pouco o sangue estanca.

Jocelino balançou a cabeça, mas os alarmes continuavam disparando em sua mente.

Era óbvio que eles não tinham desistido, e ele não fazia ideia de qual seria o próximo passo.

Jocelino entendeu na mesma hora e estava prestes a explodir de raiva quando...

— Toc, toc, toc!

Batidas urgentes soaram à porta e, em seguida, ela se abriu. Um policial de meia-idade, vestindo o uniforme da corporação, colocou a cabeça para dentro.

— Sr. Lopes, o advogado do Sr. Porto chegou. Está esperando na sala de recepção.

O momento foi preciso demais.

Jocelino virou a cabeça bruscamente para a porta, depois voltou o olhar para o Sr. Lopes.

Os dedos do outro já tinham recuado, e entre eles mal se via um pequeno fio de cabelo preto.

O olhar de Jocelino congelou na hora.

Todo o disfarce, toda a cortesia, desapareceram naquele instante.

— Sr. Lopes.

Ele abriu a boca, com uma voz assustadoramente calma:

— As investigações da delegacia de vocês também incluem serviço de cabeleireiro?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias