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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1563

— Eu só vi que tinha alguma coisa no seu cabelo... — o Sr. Lopes tentou se explicar.

— O que era?

Jocelino sorriu, e aquele sorriso parecia mergulhado em cacos de gelo, de tão cortante e frio.

Seu olhar pousou na mão do Sr. Lopes, que ainda não tinha sido recolhida por completo.

Entre os dedos, ainda se percebia vagamente um curto fio de cabelo preto. A ironia em sua voz era quase palpável.

— Tirar alguma coisa do meu cabelo exige tanta força assim?

— Quem conhece a história pode até pensar que o senhor tinha boas intenções.

— Mas quem não conhece... — Jocelino alongou de propósito o tom de voz, e cada palavra soou como uma pequena lâmina.

— Pode até achar que a delegacia da Vila das Nuvens Cinzentas ampliou os serviços. Além de investigar casos, os senhores também fazem teste de paternidade nas horas vagas?

Empurrá-lo de propósito e fazê-lo se ferir já tinha passado dos limites, mas agora o sujeito nem sequer fingia mais e puxava diretamente seu cabelo. Era preciso dizer: a atitude do Sr. Lopes realmente tinha enfurecido Jocelino.

Ele começou a falar sem poupar nada.

O olhar de Jocelino saiu dos dedos endurecidos do Sr. Lopes, subiu lentamente até o rosto do homem — que alternava entre vermelho e verde —, e o sarcasmo no canto de seus lábios se aprofundou ainda mais.

— Ou será que...

Jocelino inclinou levemente o corpo para a frente. Sua voz baixou ainda mais, mas saiu mais clara do que nunca:

— Alguém da minha família veio para a Vila das Nuvens Cinzentas sem que eu soubesse?

— E pediu em particular aos senhores policiais que tivessem o trabalho de verificar se eu, o filho bastardo renegado da família Rodrigues, sou ou não, no fim das contas... filho biológico dele?

Aquelas palavras eram venenosas demais.

O rosto do Sr. Lopes ficou vermelho na mesma hora e, por um instante, ele não soube o que fazer, sem encontrar como rebater.

O policial jovem ficou ainda mais perdido.

O ar da sala de interrogatório congelou.

— Sr. Porto, por favor, meça suas palavras.

O Sr. Lopes fechou a cara:

— Estamos apenas conduzindo o caso de acordo com a lei.

O Sr. Lopes lançou um olhar furioso para Jocelino, conferiu o identificador de chamadas e sua expressão mudou ligeiramente. Pegou o celular e saiu depressa da sala de interrogatório.

A porta se fechou, deixando apenas Jocelino e o policial jovem lá dentro.

O rapaz ficou parado, sem jeito, sem ousar encarar Jocelino.

Jocelino se sentou de novo e não disse mais nada. Apenas fitou o ferimento já estancado em seu braço, com um olhar impenetrável.

Ao mesmo tempo, na sala de monitoramento no fim do corredor, Jeremias encarava através do vidro espelhado o rosto carregado de sarcasmo de Jocelino.

Ele viu o embaraço do Sr. Lopes ao ficar sem palavras, com o rosto inteiro vermelho de raiva, e também viu a frieza e o aviso indisfarçável no olhar de Jocelino.

Aquele Narciso realmente não era alguém fácil de lidar.

Embora tivessem conseguido arrancar o fio de cabelo, o homem claramente já estava desconfiado, e provavelmente isso ainda traria problemas depois.

Nesse momento, um subordinado se aproximou para informar ao Sr. Almeida:

O advogado de Narciso havia chegado.

O Sr. Almeida ponderou por um instante, pegou um segundo celular criptografado sobre a mesa, foi até um canto e discou o número particular de Helton.

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