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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1569

O rosto do Sr. Lopes alternava entre o vermelho da raiva e o branco da frustração. As veias em suas têmporas saltavam, e seus punhos estavam cerrados com força. Ainda assim, ele não conseguia dizer uma única palavra em resposta.

Afinal, os “fatos” descritos por Jocelino não estavam errados; tinha sido ele quem o empurrara e o machucara.

Além disso, aquela área próxima ao banheiro da delegacia tinha câmeras de segurança. Se o outro resolvesse levar isso adiante e processá-lo por abuso de autoridade ou lesão corporal culposa, ele certamente não sairia ileso.

O Sr. Siqueira também percebeu a gravidade da situação. Lançou um olhar de repreensão ao Sr. Lopes e rapidamente tentou apaziguar o clima.

— Dr. Moreira, não precisa ser tão duro nas palavras.

— Imprevistos acontecem com qualquer um. O Sr. Lopes tinha boas intenções naquele momento, mas o resultado acabou sendo desastroso sem que fosse essa a intenção.

— Guilherme apenas agiu de forma descuidada num momento de desatenção. Ele definitivamente não quis ferir o Sr. Porto.

— Fique tranquilo, vou providenciar um treinamento mais rigoroso para os policiais. Isso certamente não vai se repetir.

O Sr. Siqueira olhou para Jocelino com um ar de desculpas:

— Sr. Porto, sinto muito pelo seu ferimento.

— Fique tranquilo, a responsabilidade por esse acidente é nossa. Naturalmente arcaremos com todas as suas despesas médicas futuras.

O Dr. Moreira olhou para Jocelino e depois para os dois policiais, já entendendo a situação no fundo.

Aquele ferimento, ao que tudo indicava, não tinha sido um simples acidente.

O Dr. Moreira acompanhava Jocelino havia muito tempo e conhecia suas capacidades. Não era nada fácil para uma pessoa comum feri-lo.

Além disso, embora o Sr. Siqueira e os outros tivessem apresentado explicações plausíveis, o ambiente da delegacia era simples. Alguém se machucar só por ter ido ao banheiro... provavelmente aquilo tinha sido intencional.

Ele ponderou rapidamente.

Ao cruzar casualmente o olhar com Jocelino, entendeu que todo aquele discurso também tinha sido dito de propósito para que ele ouvisse.

O Dr. Moreira assentiu discretamente para Jocelino.

Não era hora de insistir no ferimento. Certas coisas bastavam ser registradas.

O Dr. Moreira soltou um resmungo frio e suavizou um pouco o tom:

— Espero que seja mesmo como diz o Sr. Siqueira.

— Registrarei detalhadamente o incidente de hoje nos autos e me reservo o direito de adotar as medidas cabíveis.

— Agora, preciso falar a sós com meu cliente para entender em detalhes por que ele foi levado sem fundamento e ainda se machucou.

...

Enquanto isso, o Sr. Siqueira praticamente arrastou o Sr. Lopes para fora da sala de atendimento.

O rosto do Sr. Lopes estava lívido, e ele ainda tentava resmungar alguma coisa, indignado, mas foi fulminado pelo olhar do Sr. Siqueira, que o repreendeu em voz baixa:

— Você ainda acha que não causou problemas suficientes com esse caso?

— Vem comigo primeiro.

Os dois caminharam apressados pelo corredor até chegar à sala de monitoramento.

O Sr. Siqueira passou o cartão e digitou a senha, e a pesada porta acústica se abriu na mesma hora.

Sala de monitoramento.

Separada da sala de atendimento por apenas uma parede, era um mundo completamente diferente.

Não havia janelas ali, e o ar estava impregnado com um leve cheiro de queimado vindo dos dissipadores de calor dos equipamentos eletrônicos, misturado ao cheiro de cigarro acumulado ao longo dos anos.

As paredes estavam cobertas de monitores de diferentes tamanhos, exibindo imagens em preto e branco ou em cores, de vários ângulos, captando tudo o que acontecia em cada canto da delegacia.

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