A maior e mais nítida das telas mostrava, em tempo real, a situação na sala de atendimento.
Lá estavam Jocelino e o Dr. Moreira sentados frente a frente, conversando em voz baixa.
A luz fria das telas iluminava os rostos dos policiais diante da central de monitoramento, cada um com uma expressão diferente.
A iluminação irregular projetava manchas de luz e sombra sobre o painel metálico de controle e sobre os uniformes dos agentes.
Assim que o Sr. Lopes entrou, seguido pelo Sr. Siqueira, viu as costas largas do superintendente-chefe Jeremias. Ele já estava sentado em sua cadeira giratória, sólido como uma montanha, de frente para a tela principal, claramente observando tudo havia algum tempo.
Ao ver o chefe, a fúria que o Sr. Lopes vinha reprimindo, misturada com indignação e ressentimento, explodiu de repente.
As palavras afiadas e cheias de indiretas de Jocelino tinham sido como agulhas em brasa perfurando seu orgulho e sua dignidade profissional.
Ele passara mais de dez anos na polícia, solucionara casos, acumulava méritos. Quando tinha sido obrigado a engolir um desaforo daquele tamanho?
Deu alguns passos e parou ao lado de Jeremias. Ignorando a presença dos demais agentes operando os equipamentos, baixou a voz, embora o tom ainda transbordasse revolta:
— Sr. Almeida, o senhor ouviu tudo aquilo?
— O senhor viu?
O Sr. Lopes apontou para Jocelino, que conversava em voz baixa com o advogado na tela, com o dedo ligeiramente trêmulo:
— Esse Narciso, vindo do País A, é arrogante demais! Ele simplesmente nos trata como se não fôssemos nada!
— O senhor prestou atenção no que ele acabou de dizer?
— Cada frase foi uma ironia, cheia de sarcasmo! Desde quando ele nos respeita?
— Isso é jogar a reputação de toda a nossa delegacia no chão e pisar em cima!
— Ele não passa de um novo-rico do País A! Foi trazido aqui por nós para interrogatório e ainda ousa ser tão insolente?
— Quantas vezes eu já lhe disse qual é a coisa mais importante numa investigação?
— É objetividade. É frieza. Agir pela emoção é o maior tabu para um policial.
O Sr. Lopes abriu a boca, tentando se justificar:
— Sr. Almeida, eu...
— Você o quê? — O olhar de Jeremias era afiado como uma lâmina. — Fica empurrando os outros e arrancando cabelo deles!
— Eu pedi que fizesse algo simples, e no fim você agiu de um jeito cheio de falhas e ainda foi pego em flagrante na mesma hora.
— O sujeito não é burro. É perfeitamente normal que perca a paciência depois de ser provocado por você desse jeito.
— Se fosse você a ser “cumprimentado” dessa forma, continuaria mantendo uma postura amistosa?

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