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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1580

— Sim.

Cornélio não hesitou mais. Acatou a ordem e saiu.

Dentro do chalé, Wallace voltou a ficar sozinho.

Enquanto isso, do outro lado da Villa Atlântica...

Na manhã seguinte, Aeliana se levantou cedo, como de costume, e foi para a cozinha preparar o café da manhã de Amália, junto com aquela infusão especial para fortalecer a gestação.

Ela descia as escadas com os ingredientes botânicos já separados quando, ao virar o corredor do primeiro andar, viu de relance uma figura desconhecida na sala de estar. A pessoa estava de cabeça baixa, limpando meticulosamente as peças de cerâmica da estante com um pano.

A mulher usava o mesmo uniforme cinza-claro das outras funcionárias, tinha um porte esguio e seus movimentos pareciam um pouco desajeitados.

Os passos de Aeliana hesitaram quase imperceptivelmente, e um alerta atravessou sua mente.

Embora a Villa Atlântica tivesse muitos empregados, durante o tempo em que estivera ali, ela já havia cruzado com praticamente todos. Aquela pessoa, porém, era uma completa estranha.

Seria uma novata?

Por que Sofia não tinha comentado nada?

Sem deixar transparecer nada no rosto, Aeliana continuou andando em direção à cozinha com a bandeja nas mãos. Ao passar pela sala, lançou um olhar aparentemente casual para a nova funcionária.

Era uma mulher na casa dos trinta anos, de aparência comum e pele um pouco pálida, o tipo de rosto que passaria despercebido no meio da multidão. A única coisa que chamava atenção eram as mãos, de ossos marcados, segurando e limpando a cerâmica com firmeza impressionante.

Sofia, que saía de uma sala ao lado naquele exato momento, viu Aeliana e sorriu ao cumprimentá-la:

— Telma, de pé tão cedo?

— Dormiu bem esta noite?

— Muito bem.

Aeliana respondeu com um sorriso, deixando o olhar recair naturalmente sobre a nova funcionária.

— Sofia, quem é ela?

— Ah, está falando da Evelise?

Sofia acompanhou seu olhar.

— Ela foi contratada ontem. Trabalhava em outra mansão e é bem ágil no serviço. O Matheus achou que ela parecia confiável, então deixou que ficasse para ajudar na sala de estar por enquanto.

Exatamente quando as duas se cruzaram, o pano escorregou “acidentalmente” das mãos de Evelise e caiu bem aos pés de Aeliana.

— Ai, meu Deus, me desculpe, Sra. Rabelo.

Evelise se abaixou às pressas para pegá-lo e, num murmúrio quase inaudível, recitou um código enigmático:

— Três gramas de raiz de angélica, cinco de extrato botânico escuro, infusão em fervura intensa e rápida.

O coração de Aeliana disparou violentamente.

Aquela era uma das senhas de emergência que ela havia combinado com Jocelino e os outros.

Aquela mulher tinha sido infiltrada por eles?

Mantendo a expressão neutra, Aeliana virou levemente o corpo para facilitar que a outra pegasse o pano e, ao mesmo tempo, respondeu num sussurro rápido, audível apenas para as duas:

— Panela de barro, fogo brando, sem interrupção.

Com tanta gente por perto e tantos olhares atentos, elas precisariam esperar outra oportunidade para conversar.

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