Evelise recolheu o pano e recuou com respeito:
— Obrigada, Sra. Rabelo.
Aeliana fez um leve aceno e subiu a escada com passos firmes, segurando a bandeja. Sua expressão continuava plácida e gentil, sem deixar transparecer a menor anormalidade.
Mas só ela sabia que seus dedos apertavam as bordas da bandeja com tanta força que quase deixavam marcas.
Seu coração batia descompassado no peito, cada pulsação soando como um tambor anunciando sua inquietação.
Era um misto de peso e angústia.
Por que Jocelino e os outros enviariam alguém de forma tão repentina?
Será que algo ruim tinha acontecido?
Os pensamentos de Aeliana voltaram rapidamente.
Na última vez em que havia conversado com Jocelino, tudo ficara muito claro.
Ela continuaria infiltrada, usando sua proximidade com Amália para conseguir informações na Villa Atlântica, aguardando a volta do Sr. Marques. A menos que fosse uma situação extrema, ela não deveria ser retirada dali.
Mas, desde aquela reunião, primeiro veio o retorno antecipado e inesperado do Sr. Marques, e agora Jocelino enviava alguém para retirá-la sem qualquer aviso prévio.
Todos esses sinais, reunidos, apontavam para uma única direção.
Uma suspeita sombria começava a tomar forma na mente de Aeliana.
Será que o último encontro deles tinha sido descoberto e, com isso, sua identidade comprometida?
A respiração de Aeliana falhou por um instante.
Ela se lembrou de que, nos últimos dias, ao descobrir que havia um chefe ainda maior por trás do Sr. Marques, tentara avisar Jocelino e a equipe, mas suas mensagens haviam desaparecido como pedras atiradas no oceano, sem qualquer resposta.
Na época, imaginou que fosse apenas o rígido sistema de segurança do Sr. Marques e que, assim que surgisse uma oportunidade de sair, conseguiria transmitir a mensagem.
Mas agora, olhando para a situação...
O problema não se limitava à Villa Atlântica.
Muito provavelmente, as coisas também tinham saído do controle do lado de fora.
Esse pensamento deslizou para dentro do peito dela como uma serpente gelada, trazendo um calafrio cortante.
Evelise era o último recurso de segurança, designada para ajudar na evacuação no pior cenário possível. O simples fato de ela estar ali significava que o pior já tinha acontecido ou estava prestes a acontecer.
Aeliana parou na curva da escada e, aproveitando o pretexto de ajeitar a bandeja, lançou um olhar rápido para o andar de baixo.
A figura de Evelise já havia desaparecido em direção à área de serviço.
Mas Aeliana sabia perfeitamente que, sob aquela aparência de tranquilidade, as correntes ocultas já estavam turbulentas o bastante para engolir tudo.
Jocelino... como você está? Fomos descobertos? Você está em perigo?
Uma ansiedade e uma preocupação indescritíveis, misturadas com a sensação de impotência diante do desconhecido, a dominaram com força.
Mais do que nunca, ela desejava desesperadamente entrar em contato com o mundo exterior e descobrir se Jocelino estava seguro.
Mas ela não podia.
Aeliana sequer podia procurar Evelise por conta própria; precisava esperar em silêncio o momento certo.
O olhar de Aeliana se acalmou, tornando-se mais uma vez firme.

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