Raimundo fez uma pausa, evitando promessas absolutas e mantendo a cautela e o senso de limite típicos de quem vivia nas ruas.
Ele avaliava a situação mentalmente.
Quem era a Sra. Oliveira? Tratava-se da “Dra. Ana”, uma figura renomada na Umbral Order, tão esquiva que raramente dava as caras. Se nem ela conseguia resolver o problema sozinha e precisou ligar pedindo ajuda, aquilo poderia ser apenas algo trivial?
Envolvia a polícia, e o pedido de fiança havia sido negado. A situação certamente era muito mais séria do que parecia.
Raimundo pesou seus próprios contatos e sua influência, sem ousar garantir nada.
— Na polícia, conheço algumas pessoas que têm certa influência.
Ele mediu as palavras:
— Mas qual é a situação real, se eles vão estar dispostos a intervir e até onde podem ajudar... isso eu não posso prometer agora.
Afinal, o Sr. Porto era um homem astuto que não dava ponto sem nó, muito menos se meteria em encrenca com facilidade.
Sem mencionar que alguém capaz de deixar a “Dra. Ana” sem saída, a ponto de ela precisar acionar contatos do submundo para tentar soltá-lo, não devia ter uma identidade simples. O risco era enorme.
— O que posso fazer é sondar a situação primeiro, descobrir o que está acontecendo. O que acha?
— Tudo bem.
Aeliana concordou sem hesitar. O fato de Raimundo não ter prometido milagres o tornava ainda mais confiável.
— Sr. Gildo, primeiro sonde a situação para mim. Tente descobrir quem está fazendo pressão lá dentro. Quem está mexendo os pauzinhos?
— Se conseguir mandar um recado, ótimo. Se não der, só de saber qual é o problema já ajuda.
— Essa pessoa é extremamente importante para mim. Por favor, faça o possível.
— Certo, não se preocupe. Vou entrar em contato agora mesmo.
Raimundo aceitou prontamente.
— Como faço para falar com você quando tiver novidades?
— Esse número é seguro?
— Este número é provisório. Depois eu dou um jeito de falar com você.
— Não posso ficar fora por muito tempo. Tenho que voltar.
— Tome cuidado por aqui também. Vamos manter contato o tempo todo.
— Me avise se surgir qualquer novidade.
— Certo!
Evelise assentiu com vigor.
— Sra. Oliveira, por favor, tome muito cuidado também.
Aeliana fez um leve aceno, ajustou a expressão e as roupas, voltou a ser a inofensiva e simplória “Telma Rabelo” e caminhou apressadamente em direção ao quarto VIP.
Cada passo era firme, mas a tensão em seu coração só aumentava.
O hospital não era um lugar onde ela pudesse permanecer por muito tempo. Os homens de Leonardo Marques podiam reforçar a vigilância a qualquer momento, e era necessário manter Amália Oliveira sob controle.
E, quanto a Jocelino, cada segundo era precioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias