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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1599

Depois de desligar com Aeliana, Raimundo não perdeu tempo. Caminhou até a janela do escritório, acendeu um cigarro, pensou por um instante e discou o número de Tomas.

O telefone tocou cinco ou seis vezes antes de ser atendido. Do outro lado, surgiu a voz de um homem de meia-idade, um tanto cansada, com o som abafado de digitação ao fundo.

— Alô? Wallace, por que resolveu me ligar a uma hora dessas?

A voz tinha um tom de brincadeira familiar.

Ao ouvir os ruídos de fundo da ligação do Sr. Porto, Raimundo ergueu os olhos e olhou para o relógio.

Será que o Sr. Porto ainda não tinha saído do trabalho àquela hora?

— Sr. Porto, ainda não encerrou o expediente? Pela sua voz, parece que vai virar a noite de novo.

Raimundo deu uma leve risada, demonstrando certa preocupação.

— Acabei de resolver umas pendências e imaginei que você já tivesse saído, então liguei para bater papo. Não estou atrapalhando, estou?

— Ah, Wallace!

Ao ouvir a voz de Raimundo, o Sr. Porto relaxou visivelmente. Com um tom brincalhão, respondeu:

— Que conversa é essa de atrapalhar? Entre nós precisa disso?

— Na verdade, minha cabeça já está fritando de tanto escrever relatório. Sua ligação veio em boa hora para eu dar uma respirada.

Ele reclamou casualmente:

— Tem tanta porcaria acontecendo ultimamente que estou até tonto de tanto trabalho. A gente tinha combinado de tomar um café e eu já nem lembro mais em que dia estamos.

— Eu sei que você anda ocupado, por isso nem me atrevo a incomodar muito.

Raimundo entrou no ritmo da conversa:

— Por aqui está tudo bem, como sempre. Os moleques da base estão quietos, não arrumaram grandes confusões, o que já me poupa de te dar dor de cabeça.

— Ainda bem. Se eles ficarem quietos, a vida de todo mundo fica mais fácil.

O Sr. Porto concordou.

Os dois jogaram conversa fora sobre o cotidiano por mais alguns minutos.

No entanto, depois de lidar com Raimundo por tantos anos, o Sr. Porto sabia perfeitamente que o jovem líder da Thelxinoe do Litoral era articulado e meticuloso. Dificilmente ligaria apenas para “bater papo” em pleno horário de trabalho, a menos que houvesse algo importante.

— Ah, é? Quem é o sujeito?

— Diga o nome. Se eu souber e for algo que eu possa falar, com certeza te digo.

Afinal, não seria a primeira vez que o Sr. Porto faria isso por Raimundo; se pudesse ajudar, certamente ajudaria.

— Um empresário que veio recentemente de Altavista. O nome dele é Narciso Porto.

— Ouvi dizer que tem negócios grandes. Seria um novo-rico?

— A fama dele aqui na Vila das Nuvens Cinzentas cresceu bastante ultimamente.

— Acabei ouvindo de um amigo que esse cara se meteu numa enrascada por aqui e foi levado até vocês para “prestar esclarecimentos”.

— Esse meu amigo tem certa relação com ele. Quando soube que ele tinha sido convidado a “colaborar com as investigações”, ficou aflito e me pediu a cara de pau de vir te sondar.

— Tomas, a situação desse cara... é grave?

— Qual é a natureza do caso? Por que nem fiança estão aceitando?

Houve alguns segundos de silêncio do outro lado da linha.

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