Quem seria exatamente essa “pessoa muito importante” para a Dra. Ana?
Como ela acabou se envolvendo com a família Saramago?
Enquanto isso, o tempo passava segundo a segundo, e o quarto VIP do hospital permanecia em absoluto silêncio.
Sob o efeito dos medicamentos, Amália havia caído em sono profundo. Suas sobrancelhas ainda estavam levemente franzidas, mas sua respiração já parecia muito mais serena.
Sofia, depois de passar grande parte da madrugada acordada, exausta pelo susto e pelo medo, não conseguiu mais resistir. Adormeceu encolhida no sofá do canto do quarto, soltando leves roncos.
Aeliana estava sentada na cadeira ao lado da cama. Embora aparentasse descansar de olhos fechados, seus nervos estavam à flor da pele, atentos a cada mínimo ruído dentro e fora do quarto.
Ela parecia calma, mas o coração queimava de ansiedade, esperando notícias de Raimundo.
Não se sabe quanto tempo se passou até que batidas soaram na porta do quarto: três longas e duas curtas.
Um ritmo extremamente preciso.
Aeliana abriu os olhos na mesma hora, com o olhar nítido e afiado.
Ela reconheceu o código: era o sinal combinado entre ela e Evelise.
Aeliana lançou um olhar cauteloso para as duas mulheres no quarto.
Amália e Sofia dormiam profundamente, alheias a tudo.
Ela caminhou na ponta dos pés até a porta e a abriu apenas uma fresta.
Como esperado, era Evelise do lado de fora.
Evelise havia trocado de roupa, usando peças casuais, boné e máscara para passar o mais despercebida possível.
Aeliana ficou levemente surpresa; não esperava que Evelise voltasse tão rápido.
O olhar de Evelise carregava uma urgência evidente e um toque de pesar.
O coração de Aeliana apertou, prevendo que as notícias não seriam boas.
Ela levou o dedo indicador aos lábios e apontou para Sofia no sofá, pedindo silêncio.
Evelise entendeu e prendeu a respiração.
Aeliana ficou em silêncio por um momento, com o olhar ainda mais profundo sob a luz fraca.
A situação era muito mais crítica do que ela imaginava.
— Entendi.
A voz de Aeliana saiu suave, porém dotada de uma frieza impressionante.
Ela olhou diretamente para Evelise:
— Agradeça ao Sr. Gildo por mim. Vou guardar esse favor. Diga a ele que o assunto morre aqui. Não precisa mais pressionar o Sr. Porto nem investigar mais a fundo, para não acabar se queimando.
Evelise assentiu, incapaz de disfarçar a preocupação no rosto:
— Aeliana, e o que vamos fazer agora? O Sr. Barreto, ele...
Aeliana ergueu a mão, interrompendo o restante da frase.
Seu olhar se perdeu na escuridão pesada da noite além da janela e nas luzes cintilantes da cidade ao longe.

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