Enquanto isso, Fabíola havia desabado na cama, enterrando o rosto no travesseiro e deixando as lágrimas de frustração e raiva escorrerem livremente.
Em toda a sua vida, quando já tinha sofrido tamanha humilhação?
Tinha sido feita de idiota por um golpista, passado a maior vergonha diante da família e ainda precisado suportar as broncas do pai e do irmão ao mesmo tempo.
Ela nem sabia por quanto tempo chorou, até que as lágrimas secaram, deixando apenas os olhos ardendo e um aperto sufocante no peito.
Sentou-se e enxugou o rosto de qualquer jeito. Seus olhos estavam vermelhos e inchados.
Um sentimento avassalador de indignação, junto com a necessidade de descobrir a verdade, tomou conta dela.
Caminhou até a escrivaninha, ligou o computador e digitou o nome “Jocelino” na barra de busca.
Pressionou a tecla Enter.
Num instante, a tela foi inundada por uma quantidade absurda de resultados, quase travando o navegador.
Aquela avalanche de informações, por si só, já mostrava o imenso poder e a enorme projeção que aquele nome carregava.
Jocelino.
Atual presidente e diretor-executivo do Grupo Barreto do Vale Tropical.
E o Grupo Barreto, um nome de peso no mundo dos negócios nacional e internacional, possuía um império que abrangia setores fundamentais como finanças, mercado imobiliário, tecnologia e manufatura de ponta. Era um verdadeiro titã corporativo, cujas ações e decisões muitas vezes ditavam os rumos do mercado.
Como comandante de um império desse porte, o nome de Jocelino representava poder absoluto, riqueza incalculável e influência sem limites.
Fabíola rolou a página, vendo as notícias passarem diante dos olhos.
A capa de uma revista prestigiada de negócios chamou sua atenção.
O impacto daquela descoberta fez a cabeça de Fabíola girar. A raiva por ter sido enganada não diminuiu ao ver o verdadeiro rosto dele; pelo contrário, foi como se tivessem jogado gasolina no fogo, fazendo as chamas arderem ainda mais.
Ela se lembrou de como havia admirado "Narciso", de suas tentativas sutis de flerte e, pior... do leve fascínio que sentira pela suposta ingenuidade dele.
Agora via que tudo não passava de uma farsa!
E ela tinha... Ela realmente tinha chegado a ter sentimentos por um mentiroso que estava atuando?
Pensando nisso agora, cada pensamento e cada frio na barriga que sentira pareciam tão ridículos! Tão idiotas!
Fabíola fuzilou a imagem no monitor com os olhos, mas, ao encontrar aquele rosto incrivelmente charmoso, não conseguiu evitar de ficar hipnotizada por um instante.
Afinal, deixando de lado a mentira desprezível, o Jocelino que via na tela era, em termos de aparência e presença, inquestionavelmente extraordinário, superando de longe qualquer "jovem talento" que ela já tivesse conhecido.

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