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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1617

O caso de Jocelino serviu de sinal de alerta para o pai de Fabíola.

Aquele rapaz, Edivaldo, tinha ambição e não lhe faltava capacidade, mas era arrogante demais. Sempre acreditou que já tinha asas fortes o suficiente para voar sozinho, querendo se livrar da influência do Sr. Marques e construir o próprio império.

Antes, o pai sempre achou que ele ainda era jovem e que bastava dar algumas orientações sutis. Mas agora percebia que havia sido ingênuo demais.

O pai de Fabíola se lembrou do tom frio e inquestionável de Leonardo ao telefone, além da ameaça implícita nas entrelinhas.

Se Edivaldo continuasse agindo sem medir as consequências, ou se Fabíola cometesse mais algum erro que enfurecesse o Sr. Marques... não seria apenas o futuro de Edivaldo a ser arruinado, mas muito provavelmente o da família Saramago inteira.

Essa constatação fez um calafrio percorrer a espinha do pai de Fabíola.

Algumas coisas já não podiam mais continuar em segredo. Era preciso fazer o filho entender a verdadeira situação da família Saramago.

No fundo, a culpa também era dele por nunca ter explicado com clareza os riscos a Edivaldo e Fabíola.

Em breve, o próprio Sr. Marques iria à delegacia para interrogar Jocelino, e ele precisava garantir que nada de errado acontecesse com o homem enquanto estivesse sob sua responsabilidade naqueles dias.

O pai de Fabíola fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente as palavras. Lançou um olhar penetrante para o filho e continuou num tom carregado de significado:

— Edivaldo, talvez eu não tenha sido muito claro com você sobre certas coisas no passado.

— Mas, depois de tudo isso, percebi que chegou a hora de colocar as cartas na mesa.

— Eu sei o que passava pela sua cabeça. Você achava que eu estava sendo manipulado pelo Sr. Marques e temia que o poder da empresa acabasse nas mãos dele, ameaçando a sua posição como herdeiro, não é?

O rosto de Edivaldo corou no mesmo instante.

O pai ergueu a mão, interrompendo qualquer tentativa de justificativa do rapaz.

— Não estou dizendo isso para te dar bronca pelos erros do passado, mas para te alertar.

— No fim das contas, é você quem vai sustentar esta família. Você... precisa levar as coisas a sério, aprender a ler as pessoas, a comandá-las e, acima de tudo... aprender a usar as circunstâncias a seu favor.

A última frase foi dita num tom suave, mas pesou como uma rocha sobre os ombros de Edivaldo.

O rapaz ficou imóvel. Ao notar o olhar do pai, percebeu que ele carregava uma expectativa imensa, acompanhada de um cansaço quase imperceptível.

Sentiu um leve nó na garganta. Foi a primeira vez que percebeu com tanta clareza que o pai estava envelhecendo.

Sustentando o olhar paterno, ele finalmente compreendeu a verdadeira intenção por trás de toda aquela fúria de hoje e enxergou o peso que teria de carregar no futuro.

Com a garganta apertada, assentiu solenemente:

— Pai, eu entendi.

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