— Vocês são surdos?
— Eu sou uma Saramago! Quero ver o Sr. Almeida!
— Se atrapalharem os meus assuntos, vão assumir as consequências? Querem que eu ligue para o meu pai agora mesmo?
Ao dizer isso, fez menção de pegar o celular.
Diante daquilo, os policiais não ousaram mais impedi-la, e um deles correu para avisar o chefe.
O Sr. Almeida apareceu logo em seguida. Ao ver a Srta. Saramago furiosa, marchando em sua direção com os olhos inchados e vermelhos, sentiu uma dor de cabeça instantânea.
O grande problema era que, por trás da família Saramago, estava nada menos que o Sr. Marques.
E, diante do Sr. Marques, não era só ele: até o governador precisava agir com cautela.
Para ser sincero, aquele caso existia, em grande parte, por exigência do próprio Sr. Marques. A família Saramago era apenas a fachada.
Justamente por entender a complexidade da situação, o Sr. Almeida se sentia num beco sem saída.
Pelas normas, um suspeito central num caso tão delicado não podia receber visitas durante a fase de investigação e interrogatório, especialmente de pessoas diretamente envolvidas, para evitar combinação de versões ou qualquer outro incidente.
Mas a Srta. Saramago, parada bem diante dele, obviamente não tinha ido até ali para seguir normas.
Ele olhou para os olhos vermelhos de Fabíola e para a fúria irracional da garota, lamentando em silêncio a própria má sorte.
O pai dela tinha ligado para ele no dia anterior, exigindo vigilância total sobre Jocelino nos próximos dias.
E, de repente, a Srta. Fabíola aparecia ali fazendo escândalo.
Naquele estado? Será que o Sr. Marques e o Sr. Saramago sabiam disso?
— Ora, Srta. Saramago, o que a traz aqui pessoalmente?
O Sr. Almeida forçou o sorriso mais amigável que conseguiu e se aproximou depressa, tentando acalmar os ânimos.
— Aqui está muito tumultuado. Que tal entrarmos para conversar?
A intenção dele era levá-la até sua sala e evitar um vexame no saguão de entrada.
Fabíola já não tinha condições de ouvir razão. Sua cabeça fervia de indignação por ter sido feita de idiota e pela urgência de confrontar o golpista. Ao perceber que o Sr. Almeida não ia deixá-la passar, apelou para o nome do pai como forma de intimidação.
— Sr. Almeida, se o senhor não me deixar entrar agora mesmo, vou dizer ao meu pai que está criando dificuldades de propósito e impedindo a família Saramago de acompanhar o caso!
— Quero ver se ele não toma providências contra o senhor!
Aquilo era uma mistura de ameaça com chantagem barata, mas atingiu em cheio o ponto fraco do Sr. Almeida.
Ele não podia se dar ao luxo de ofender a família Saramago, muito menos o homem por trás deles, o Sr. Marques.
E Fabíola era a joia preciosa da família. Quem garantiria que o pai dela daria ouvidos a ele, e não à filha mimada?
Se a impedisse de entrar, ela poderia voltar para casa e aumentar ainda mais a história.
Bastaria um telefonema do Sr. Saramago, ou uma cobrança do Sr. Marques, para ele correr o risco de perder o distintivo para sempre.
O suor começou a brotar na testa do Sr. Almeida enquanto ele pensava, em desespero, no que fazer.

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