A enorme humilhação e a dor fizeram com que as lágrimas de Fabíola transbordassem na mesma hora, enquanto ela perguntava, com a voz aguda e embargada pelo choro:
— Pai! Você...
— Você teve coragem de me bater?
Depois de dar o tapa e ver as marcas vermelhas e inchadas surgindo rapidamente no rosto da filha, junto com as lágrimas, o pai de Fabíola sentiu um lampejo de arrependimento e pena.
Mas, naquele momento, ao se lembrar dos métodos implacáveis do Sr. Marques, pensou que, se o Sr. Almeida não tivesse abafado tudo a tempo, será que ela não fazia ideia da gravidade das consequências que quase tinha provocado?
Pensando nisso, a pouca pena que sentia foi rapidamente esmagada por um medo tardio ainda maior.
Dessa vez, ela precisava aprender.
O pai de Fabíola respirou fundo, obrigando-se a endurecer o coração, e lançou um olhar severo para a filha.
— Bati, sim!
— Eu acabei de te ensinar que, diante de um problema, você precisa manter a calma e não agir por impulso!
— E o que foi que você fez? Entrou por um ouvido e saiu pelo outro! Veio escondida até a delegacia para arrumar briga e quase partiu para agressão!
— Fabíola, você faz ideia de onde está? Sabe quem está preso aí dentro? Sabe o tamanho do problema que causou para a família Saramago agindo desse jeito?
Quanto mais falava, mais furioso ele ficava. O dedo tremia enquanto apontava para ela.
— Se alguma coisa desse errado, como eu iria me explicar para o Sr. Marques?
— Você descontou sua raiva e pronto! Mas e se o Jocelino se aproveitasse da situação para revidar e dar munição a quem está de fora? Como a família Saramago continuaria de pé na Vila das Nuvens Cinzentas?
— Se você continuar com esse temperamento mimado e inconsequente, sem saber o que importa e o que não importa, no futuro não vai aprender só com um tapa! Você vai acabar se destruindo e arrastando a família Saramago inteira junto!
— Pelo menos agora foi de mim que você apanhou! É melhor isso do que, no futuro, ofender a pessoa errada e morrer na rua sem nem saber por quê!
Fabíola, no entanto, não conseguiu absorver uma só palavra. Só sentia o rosto arder, o coração transbordando indignação e uma raiva extrema.
Ela olhou para o pai com ódio, chorando ainda mais alto, e gritou:
— Mas fui eu que fui enganada!
— Qual é o problema de eu querer bater nele?
— Vocês só sabem me oprimir!


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias