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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1625

Enquanto isso, Fabíola, que havia sido retirada à força, continuava chorando e gritando pelos corredores da delegacia, atraindo muitos olhares curiosos.

O Sr. Almeida sentia uma dor de cabeça latejante. Enquanto tentava acalmar a Srta. Fabíola, arrependia-se amargamente no fundo do coração.

Se soubesse que aquela Saramago era tão problemática, teria preferido morrer a deixá-la entrar.

Agora, o estrago estava feito. Além de não conseguir acalmá-la, ainda tinha levado um xeque-mate de Jocelino e exposto uma brecha séria.

Ele só esperava que a notícia não chegasse aos ouvidos do Sr. Marques...

O Sr. Almeida olhava para Fabíola, em completo descontrole, sentindo o peso do mundo sobre os ombros.

Foi preciso um esforço gigantesco, muita conversa e uma verdadeira “escolta” para que finalmente conseguisse levá-la para uma sala de recepção mais reservada da delegacia.

Sem perder um segundo sequer, ligou imediatamente para o pai de Fabíola e explicou a situação em tom aflito.

Do outro lado da linha, ao ouvir que a filha tinha ido escondida até a delegacia, confrontado Jocelino cara a cara e quase o agredido, o pai de Fabíola sentiu o choque inicial ser rapidamente substituído por uma fúria devastadora.

Os nós dos dedos ficaram brancos de tanta força ao apertar o telefone, e as veias da testa saltaram.

Que garota rebelde. Que absurdo.

Como ela podia não ter um pingo de juízo? Será que aquela cabeça servia só de enfeite?

O pai de Fabíola estava tão furioso que sua visão chegou a escurecer.

Ele havia avisado inúmeras vezes, por ordem expressa do Sr. Marques, para que o Sr. Almeida mantivesse Jocelino sob vigilância máxima.

Justo naquele momento crítico, Fabíola tinha ido arrumar confusão dentro da delegacia? Aquilo era praticamente correr em direção ao desastre.

O que mais o apavorava era a possibilidade de ela ter perdido o controle na delegacia, machucado Jocelino ou dito algo indevido, sido gravada e aquilo chegar aos ouvidos do Sr. Marques...

Ou pior ainda: se os aliados de Jocelino descobrissem o ocorrido e usassem isso para denunciar o Sr. Almeida e tirá-lo de lá?

Ele deu alguns passos à frente e, diante dos olhares atônitos de todos, ergueu a mão.

— Pá!

O som seco e estalado do tapa ecoou pela sala, atingindo o rosto de Fabíola em cheio.

Foi um tapa forte. O rosto dela virou com o impacto, e as marcas nítidas dos dedos surgiram imediatamente sobre a pele clara.

A sala inteira, incluindo os policiais na porta e o Sr. Almeida, ficou em choque.

O ambiente mergulhou num silêncio absoluto. Todos se assustaram com a fúria fulminante do pai de Fabíola e baixaram a cabeça, sem ousar olhar de novo.

Fabíola, cobrindo a bochecha ardendo com a mão, ficou completamente atordoada, levando alguns segundos para entender o que tinha acabado de acontecer.

Então virou o rosto bruscamente e olhou para o pai, incrédula. Desde criança, embora ele fosse rígido, nunca havia encostado um dedo nela.

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