O segurança virou um pouco o rosto, trocou um olhar com o parceiro e franziu a testa por reflexo.
Aquela auxiliar de limpeza... parecia estranha.
Ela estava de uniforme e máscara, então não dava para ver bem o rosto inteiro, mas a funcionária que costumava cuidar daquela área não era mais velha e bem mais curvada?
Essa mulher, apesar de também andar de cabeça baixa, parecia se mover com muito mais agilidade...
Parecia bem mais nova do que a de antes.
Anos de experiência faziam com que ele mantivesse o alerta máximo diante de qualquer anormalidade.
Aeliana percebeu com precisão aquele breve momento de análise e hesitação.
Ela sabia muito bem que, por mais impecável que fosse o disfarce, a vigilância em torno de Amália era extrema, e qualquer detalhe fora do normal poderia levantar suspeitas.
Mesmo assim, não entrou em pânico. Já tinha calculado o tempo com cuidado.
Desde que Amália chegara ao hospital, só ela e Sofia tinham ficado ao lado dela. Por isso, Aeliana já havia memorizado com exatidão os horários em que a equipe da limpeza passava por ali.
Além disso, a funcionária responsável por aquele setor acabara de ficar sem seus pertences, que Aeliana havia pego, e a porta ainda fora deixada fechada. Muito provavelmente, ela continuaria procurando suas coisas e não apareceria tão cedo na ala VIP.
Desde que desse uma explicação convincente, o que uma simples mulher da limpeza poderia fazer contra Amália?
Diante do olhar penetrante do segurança, Aeliana não demonstrou medo. Encolheu os ombros de propósito.
Com jeito nervoso, abaixou a voz e soltou a desculpa que já havia preparado, balbuciando:
— Chefe, estou cobrindo o turno.
— A moça que cuida daqui teve um problema em casa e me pediu para recolher o lixo e trocar as toalhas.
— Cobrindo o turno?

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