— Você terminou tão rápido?
— A moça de antes nunca fazia tudo com essa agilidade.
O coração de Aeliana disparou.
Ela parou e se apressou em explicar:
— Não, não é isso.
— A patroa e a mocinha lá dentro estavam dormindo. Eu não quis fazer muito barulho, com medo de acordar as duas e levar bronca.
— Eu... eu só recolhi o lixo e troquei as toalhas por enquanto.
Hesitou por um instante e, com receio de que ele não acreditasse, acrescentou depressa:
— Pode ficar tranquilo, eu sou rápida, mas deixei tudo bem limpo.
— A moça de antes já é de idade e faz tudo mais devagar. Eu sou mais nova e mais ágil.
— Lá na minha terra todo mundo sempre elogiou minha rapidez, por isso... por isso terminei tão depressa.
O segurança observou sua atitude submissa e se lembrou de como Sofia costumava ser dura com os funcionários, o que fez a maior parte de sua desconfiança desaparecer.
Um traço de desprezo passou por seus olhos. Ele acenou com a mão, já impaciente:
— Tá bom, tá bom. Vai logo, não fica aí atrapalhando.
— Sim, certo, certo! Muito obrigada, chefe!
Aeliana assentiu várias vezes, como se tivesse acabado de receber um grande favor, e saiu depressa, empurrando o carrinho com passos meio desajeitados.
Só quando dobrou o corredor e saiu completamente do campo de visão dos seguranças foi que suas costas tensas relaxaram uma fração. Mesmo assim, seus pés não pararam. Pelo contrário, ela acelerou ainda mais o carrinho em direção à passagem de funcionários e ao elevador de carga.
Aquela breve troca de palavras tinha parecido simples, mas fora perigosíssima. Se ela tivesse reagido um segundo mais tarde ou deixado qualquer falha aparecer na expressão, tudo estaria perdido.
Era o motorista que Wallace havia encarregado de ajudar na fuga.
Os dois não trocaram palavra, apenas um olhar de confirmação. O motorista abriu rapidamente as portas traseiras da van, enquanto Aeliana retirou o disfarce do carrinho. Juntos, ergueram Amália com cuidado e a colocaram no interior do veículo, acomodando-a num canto forrado com almofadas.
O processo inteiro não levou mais do que alguns segundos.
Aeliana lançou uma última olhada para o carrinho de limpeza.
Pegou rapidamente alguns itens que poderiam expor sua identidade, enfiou tudo num saco de lixo preto já preparado e o jogou no canto da van.
Em seguida, subiu agilmente no veículo e puxou a porta.
Lá dentro, a van estava mergulhada na escuridão, iluminada apenas pelos fachos fracos e passageiros dos postes que atravessavam os vidros.
Aeliana se recostou na parede do veículo e soltou um longo suspiro. Só então percebeu que suas costas estavam encharcadas de suor frio.

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