Aproveitando a luz fraca, ela olhou para Amália, ainda desacordada ao seu lado, e confirmou que sua respiração seguia estável, sem nenhuma anormalidade.
O motor da van roncou baixo. O veículo começou a se mover devagar, deixando o estacionamento subterrâneo e logo se misturando ao tráfego ainda intenso da noite na Vila das Nuvens Cinzentas.
Do lado de fora, a cidade brilhava, agitada e barulhenta; do lado de dentro, reinava um silêncio denso.
Aeliana fechou os olhos e se apoiou na lateral da van, deixando os batimentos acelerados do coração se acalmarem aos poucos.
Ela levou a mão a um bolso interno e tirou o microcomunicador. A tela acendeu com um brilho fraco na escuridão.
A van em que Aeliana seguia já havia se integrado ao fluxo de carros, sumindo sem deixar rastro.
Quando os seguranças finalmente reagiram, abriram a porta e viram o quarto vazio, já era tarde demais.
Na porta do quarto VIP, embora os dois seguranças tivessem dispensado a funcionária da limpeza, seus instintos profissionais continuavam dizendo que algo estava errado.
Por mais razoável que a explicação dela tivesse parecido, o carrinho parecia pesado demais.
Os dois trocaram um olhar, e ambos viram a dúvida refletida nos olhos do outro.
— Tem alguma coisa errada.
Um deles falou em voz grave:
— Vamos entrar e conferir.
O outro assentiu, e os dois abriram a porta imediatamente.
O quarto estava em completo silêncio, iluminado apenas pela luz fraca do abajur noturno.
A cama estava vazia.
O cobertor havia sido jogado de lado de forma desordenada, e ainda havia uma marca funda no travesseiro, mas Amália tinha desaparecido sem deixar rastro.
— Senhorita?
O rosto do segurança mudou na mesma hora, e seu coração despencou.
Ele virou bruscamente para a cadeira de acompanhante ao lado. Sofia estava caída ali, parecendo dormir profundamente, até soltando leves roncos.
— Sofia! Acorda! Sofia!
O segurança correu até ela e sacudiu seus ombros com força.
Sofia abriu os olhos de forma lenta, ainda grogue, com o olhar perdido, como se não tivesse despertado por completo, e resmungou:
— O... o que foi... por que esse grito todo...
— Cadê a jovem?
— O que foi?
— Sr. Marques... Sr. Marques...
A voz do segurança estava seca e rouca de tanto medo e tensão, quase sem sair:
— Aconteceu... aconteceu um problema...
— A jovem... a jovem sumiu.
Houve um silêncio mortal do outro lado da linha, como se até o ar tivesse congelado.
Depois de longos segundos, a voz de Leonardo soou outra vez. Não dava para perceber emoção nenhuma, mas era fria o bastante para congelar os ossos.
— O que você disse? Repete.
— A jovem... a Sra. Oliveira... ela estava no quarto agora há pouco. Nós, nós só nos distraímos por um instante...
— Não, foi aquela faxineira!
— Entrou uma faxineira aqui agora há pouco. Só pode ter sido ela!
— Foi ela que levou a jovem!

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