Diante dos olhares tensos do diretor e de Sofia, elas trocaram olhares, tentaram puxar pela memória e balançaram a cabeça, perdidas.
— Não, não vimos... Essa Telma... parece que, depois de trazer a Sra. Oliveira para o quarto à tarde, mal apareceu...
— Isso mesmo. Depois foi a Sofia que ficou lá dentro. A gente achou que ela tinha ido descansar...
— E quando aquela faxineira entrou agora há pouco, a gente nem prestou atenção...
As enfermeiras falavam ao mesmo tempo, mas, no fim, tudo levava à mesma conclusão.
Ninguém tinha visto Telma.
Desde que ela disse que ia buscar água para Amália, já fazia mais de uma hora que ninguém a via.
Ao ouvir aquilo, a vista de Sofia escureceu. Suas pernas fraquejaram, e ela quase caiu no chão.
Mais de uma hora... tempo mais do que suficiente para preparar tudo.
Agora tudo fazia sentido.
Aquela faxineira era, sem dúvida, Telma disfarçada.
E aquela história de estar cobrindo o turno...
Não passava de mentira. Uma desculpa inventada na hora.
Pensando nisso, Sofia se virou bruscamente para o segurança, arrancou o celular da mão dele e gritou, chorando, para a pessoa do outro lado da linha:
— Sr. Marques!
— Sou eu, Sofia!
— Foi a Telma! Aquela faxineira era a Telma disfarçada!
Sofia relatou tudo o que tinha acabado de descobrir e, no fim, chegou a uma conclusão:
— Aquela Telma não é uma simples cozinheira. Foi ela que sequestrou a jovem!
— Eu já tinha achado estranho quando a jovem passou mal. Ela estava sempre bem, então como, de repente, ficou com tanta dor na barriga hoje à noite?
— E, na hora de vir para o hospital, eu estava prestes a entrar na ambulância com a jovem, mas ela insistiu para eu pegar isso e aquilo.
Os acontecimentos do dia passaram como um filme na cabeça de Sofia, e, quanto mais ela lembrava, mais convencida ficava.
— Tem alguma coisa muito errada com essa Telma!
— Telma...


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