— Sim, senhor!
Os guarda-costas responderam em uníssono. Gotas de suor frio desciam por suas têmporas e pingavam no chão.
Leonardo desligou o telefone com brutalidade. Seu peito subia e descia violentamente, tomado por uma fúria extrema e um leve traço de pânico que ele mal conseguia esconder.
Ele encarou a paisagem noturna que corria pela janela do carro, com um ódio selvagem transbordando nos olhos.
Maldito Jocelino.
Maldita Aeliana.
Aquele nome era como um espinho envenenado, cravado fundo em seus nervos.
Ele já devia ter imaginado.
Com Jocelino capturado, como Aeliana ficaria parada, sem fazer nada?
Mas jamais esperava que aquela mulher fosse tão audaciosa a ponto de tirar Amália, bem debaixo do seu nariz, de um hospital fortemente vigiado.
E, num momento como aquele, por que ela levaria Amália?
Um incômodo crescente começou a se formar no peito de Leonardo.
A data prevista para o parto de Amália estava a poucos dias.
Embora sempre tivesse sentimentos contraditórios em relação àquela criança, ainda assim era seu neto — e também uma peça importante para os planos futuros que ele tinha em mente.
Agora, com Amália nas mãos de Aeliana, sendo levada daquele jeito, passando por solavancos e sustos, se algo afetasse a gravidez, ou até mesmo...
Leonardo não ousou continuar pensando.
Aeliana e Amália eram inimigas de longa data. Agora que Amália tinha caído em suas mãos, aquilo dificilmente terminaria bem.
Se acontecesse alguma coisa com o bebê...
— Inúteis! Todos vocês são inúteis!
Leonardo desferiu um soco violento no apoio de braço do banco, afundando na mesma hora o couro caro do acabamento.
Tomou coragem para se aproximar, forçando um sorriso que mais parecia uma careta de dor, e mal abriu a boca para dizer:
— Sr. Marques, o senhor...
— Onde ele está?
Leonardo nem lhe deu a chance de terminar. Seu olhar cortou o rosto do Sr. Almeida como uma lâmina, e sua voz soou grave, carregada de uma pressão sufocante.
O Sr. Almeida sentiu um calafrio percorrer a espinha, e suas costas ficaram encharcadas de suor frio no mesmo instante. Ele se apressou em sair da frente, abrindo caminho, e respondeu num tom respeitoso, quase bajulador:
— E-ele está lá dentro.
— Fique tranquilo, durante todo esse tempo seguimos rigorosamente as suas ordens, mantivemos vigilância total, não houve nenhuma falha...
Consumido pela raiva, Leonardo nem sequer olhou para ele. Soltou um bufado frio, passou direto e seguiu em direção ao interior da delegacia.
O Sr. Almeida e os outros policiais se entreolharam. Ninguém ousou dizer mais nada, apenas o seguiu de perto. O ambiente estava tão pesado que mal dava para respirar.
A luz do corredor piscava sobre o rosto de Leonardo, refletindo a fúria quase palpável em seus olhos, acompanhada de uma obsessão próxima da insanidade.

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