Ele devolveria a humilhação e a raiva daquela noite multiplicadas cem, mil vezes.
Dentro da cela.
Jocelino estava de olhos fechados, descansando a mente. O Sr. Almeida já havia lhe dito que Leonardo viria procurá-lo naquele dia.
Ao ouvir os passos pesados do lado de fora e sentir aquela aura opressiva de violência explícita, ele abriu os olhos lentamente.
Finalmente chegou.
Jocelino pensou consigo.
Leonardo tinha chegado mais rápido do que ele imaginava e, pelo jeito, parecia... que algo estava errado.
De repente, um estrondo.
A porta de ferro da cela foi empurrada com violência, batendo na parede com um barulho ensurdecedor.
Leonardo entrou a passos largos, irradiando uma pressão aterradora. Seu rosto estava tão sombrio que parecia prestes a explodir, e seus olhos cruéis se cravaram em Jocelino como se quisessem devorá-lo vivo.
Jocelino ergueu levemente uma sobrancelha, um pouco surpreso.
Leonardo era conhecido por seus métodos cruéis, mas sempre soubera disfarçar e raramente deixava as emoções tão expostas. Por que estava perdendo o controle daquela forma?
Será que... tinha acontecido alguma coisa inesperada lá fora?
— Jocelino!
Leonardo parou diante das grades, a voz tensa de tanto reprimir a fúria:
— O que exatamente vocês estão tentando fazer?
Jocelino olhou para ele. Por dentro, sentiu uma pontada de confusão, mas seu rosto permaneceu impassível.
— O que o Sr. Marques quer dizer com isso?
— Acho que não estou entendendo.
— Eu estou aqui, desarmado, e nem sequer consigo sair desta cela. O que eu posso ou não fazer não depende justamente do senhor, Sr. Marques?
— Você ainda está fingindo!
Leonardo deu um soco violento nas grades, com a raiva transbordando nos olhos.


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