— É, tenho algumas ideias. Mas ainda estou amadurecendo o assunto para ver o que seria mais adequado.
Jocelino não negou, acariciando suavemente as costas da mão dela com as pontas dos dedos:
— Deixe isso nas minhas mãos, está bem?
— Você não precisa se preocupar, nem precisa se expor.
— Independentemente do resultado, não afetará você de forma alguma. Faça de conta que nem sabe disso.
Aeliana olhou para as mãos unidas deles e, em seguida, ergueu o olhar para os olhos profundos e seguros de Jocelino. Ela sabia que ele estava realmente pensando nela e havia considerado todos os ângulos da situação.
Sendo assim, por que ela não concordaria? Afinal de contas, Jocelino nunca faria nada para prejudicá-la.
— Tudo bem.
Aeliana assentiu, com a voz suave, mas clara:
— Faça o que achar melhor. Eu confio em você.
— Porém...
— Como você pretende fazer isso? Vai simplesmente dar um emprego a ele?
Por mais que dissesse não se importar, mas em seu coração não pôde deixar de ficar curiosa.
Jocelino balançou a cabeça, pegou uma mexerica na mesa de centro e começou a descascá-la lentamente:
— Fazer isso feriria demais o orgulho dele.
— Pedi ao meu assistente que ficasse de olho. Ele tem trabalhado como coordenador temporário naquela empresa de logística na cidade natal dele. Na verdade, ele tem se saído muito bem, só não tem um contrato fixo.
— E então?
— O novo polo industrial na zona oeste será inaugurado no mês que vem, e a empresa de logística parceira está justamente contratando um gerente de projetos.
Ele separou um gomo da tangerina e estendeu para Aeliana:
— Nos requisitos da vaga, pedirei que coloquem uma observação de que se dá preferência a quem tem experiência em coordenação logística local. Se ele mesmo enviar o currículo e passar pela entrevista devido às suas capacidades, não poderá ser considerado caridade.
Aeliana pegou o gomo de tangerina e mastigou pensativa. O doce cítrico se dissolveu em sua boca.
— E se ele se candidatar e não passar?
— Então isso significa que ele não é capacitado o suficiente, ou não tem sorte. — Jocelino estendeu outro gomo de tangerina, falando com tom calmo. — Eu só vou colocar a oportunidade em um lugar onde ele possa ver. Se vai conseguir agarrar, dependerá dele.



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