Aeliana apoiou-se no batente da porta, pensou um pouco e balançou a cabeça.
— Faça como quiser.
O som da água não demorou a soar. Jocelino colocou o pijama que havia escolhido na prateleira do banheiro e avisou através do vidro temperado jateado:
— A temperatura da água está ajustada, é só entrar.
O tempo passou sem que percebessem, e a noite já ia alta.
Depois de tomarem banho e se vestirem com os confortáveis pijamas, os dois deitaram lado a lado na ampla e macia cama de casal.
A suíte principal do Solar da Montanha tinha uma vista excelente. As cortinas grossas não estavam totalmente fechadas, deixando uma fresta que permitia que o luar e o brilho dos letreiros luminosos da cidade distante entrassem furtivamente no quarto.
Havia também uma luminária de luz suave acesa na cabeceira da cama, lançando sombras difusas pelo quarto à meia-luz.
O quarto estava imerso em silêncio, apenas o som fraco da respiração dos dois podia ser ouvido.
Jocelino deitou-se de lado e passou o braço ao redor da cintura de Aeliana de forma natural, puxando-a inteiramente para o seu abraço.
Aeliana, por hábito, também ajustou a postura para encontrar a posição mais confortável nos braços dele, com a testa levemente encostada no maxilar dele.
O cheiro de frescor após o banho se misturou ao cheiro familiar um do outro, alimentando silenciosamente uma inefável sensação de intimidade e dependência mútua.
— Está cansada? — Jocelino perguntou em voz baixa, com os dedos afastando o cabelo da nuca dela.
Aeliana negou com a cabeça e se encolheu ainda mais no abraço dele:
— Não. Só estava pensando que... Faz tempo que a gente não ficava assim.
— É. — O braço dele se apertou ao redor dela, e o queixo esfregou o topo de sua cabeça. — Faz muito tempo.


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