Esses dois homens eram os guarda-costas de confiança da família Martins, enviados especialmente por Fernanda para proteger Heloisa e dar suporte ao seu retorno.
Uma atmosfera de tensão explosiva preencheu instantaneamente a sala de estar. Os guarda-costas de ambos os lados se encaravam, prontos para o confronto a qualquer momento.
A expressão de Simone mudou ligeiramente. Ela claramente reconheceu a origem daqueles dois homens e sabia que pertenciam à família Martins.
Um brilho de receio passou por seus olhos, e seu tom de voz suavizou-se involuntariamente, embora o escárnio em suas palavras tenha se intensificado:
— Ora, eu estava me perguntando quem teria trazido esse aparato todo. Heloisa foi fazer uma visita à casa do cunhado para buscar reforços?
— O que foi? A família Martins agora pretende interferir descaradamente nos assuntos domésticos internos da família Barreto?
Heloisa reprimiu a fúria e a humilhação em seu peito, endireitou a coluna e respondeu friamente:
— Simone, não tente inverter os papéis e me acusar do que você está fazendo!
— Não importa o que aconteça, o Reinaldo também é filho biológico do papai! O modo como vocês estão tratando nosso pai agora, restringindo a liberdade dele, é uma traição imperdoável! Se isso vazar, vocês não têm medo de serem condenados por todos?
— Traição imperdoável?
Simone riu como se tivesse ouvido uma piada.
— Nós, como filhos, estamos fazendo o possível para proteger a segurança do nosso pai, evitando que ele seja perturbado pelo mundo exterior e ferido por pessoas mal-intencionadas. Como isso pode ser chamado de traição?
— Pelo contrário, Heloisa, é você!
Uma sensação profunda e desesperadora de impotência bateu nela como um choque. Heloisa cerrou os dentes, sabendo que continuar o impasse e a discussão naquele momento não faria sentido e só traria mais humilhação.
No fim, ela apenas lançou um olhar feroz para Simone, cheio de raiva, desprezo e uma tristeza imperceptível, antes de se virar e sussurrar para os dois guarda-costas da família Martins:
— Vamos embora.
Ao sair daquela mansão sufocante e entrar no carro de luxo enviado pela família Martins, isolada dos olhares externos, a força que Heloisa vinha mantendo desmoronou instantaneamente.
As lágrimas rolaram silenciosamente como pérolas de um colar arrebentado. Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular e ligou para a irmã, Fernanda. Sua voz estava tão embargada que mal conseguia formar frases completas:
— Fernanda... eles... eles... O Reinaldo e a Simone mantiveram o pai em cárcere privado... Eu não consegui entrar, não consegui ver ninguém... Eles colocaram muita gente vigiando...

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