— Se nem eu intervindo consegui fazer com que eles concordassem, de que adiantará você ir?
— O mais importante agora é você voltar e esfriar a cabeça.
Santiago não se moveu.
Santiago e Renato permaneceram num impasse.
No entanto, Renato ainda era o superior de Santiago. Santiago cerrou os dentes com força e, finalmente, espremeu uma palavra da garganta:
— ... Sim senhor.
Santiago virou-se, saiu do escritório a passos largos e bateu a porta com força.
O estrondo da madeira contra o batente explodiu no corredor, assustando alguns colegas que passavam, que se entreolharam.
Santiago não olhou para ninguém, atravessou o corredor diretamente, cada passo pesado e urgente.
— O que aconteceu com o Santiago?
Perguntou o novo policial em voz baixa para Tomas, que estava ao lado.
Tomas balançou a cabeça e baixou a voz:
— Não pergunte. Com certeza aquele assunto de Santiago deu errado.
— Ouvi dizer que nas explosões recentes na fronteira havia conhecidos de Santiago, gente de quem ele era próximo. Agora essas pessoas sumiram e a chefia não deixa investigar. Como ele não ficaria desesperado?
— Mas regras são regras, né...
— Regras são frias, as pessoas não. — Tomas suspirou. — Quando você tiver mais tempo de casa, vai entender que certas coisas não se resolvem apenas citando o regulamento.
Santiago correu até o estacionamento, abriu a porta do carro e sentou-se, mas demorou para dar a partida.
Imagens não paravam de surgir na mente de Santiago. Suas mãos agarravam o volante com força mortal, as veias do dorso das mãos saltadas, e a dor sufocante em seu peito quase explodia.
Ele ficou sentado no carro por uma hora inteira, até que o céu escureceu, antes de ligar o motor mecanicamente, sem saber para onde ir.
...
Tarde da noite, num pequeno bar de esquina.
Santiago estava sentado sozinho no canto mais afastado, com três garrafas de cerveja vazias à sua frente. Ele raramente bebia de forma tão descontrolada, mas naquela noite, talvez o golpe tivesse sido grande demais. Santiago precisava de álcool para se entorpecer.
Naquela época era tão simples, bastava ter punhos fortes.
Mas e agora? Ela estava entre a vida e a morte, e ele estava preso aqui, guardando essas malditas regras, sem sequer ter o direito de ir procurá-la!
Ele levantou a garrafa para beber novamente.
A postura de Santiago ao beber assustava até o barman, que trabalhava ali há muito tempo.
O barman, sentindo pena, tentou aconselhar:
— A vida é longa. Você está bebendo pesado demais.
Santiago fez ouvidos moucos. O álcool inundava seu cérebro, tornando sua mente, geralmente racional, emocionalmente instável.
Quanto mais pensava, mais ódio sentia. Ódio de sua própria impotência, ódio daquela burocracia fria e, acima de tudo, ódio do mentor intelectual que colocara Aeliana em perigo!
— Bum!
Santiago deu um soco na mesa. As garrafas vazias tremeram e tombaram, fazendo com que os clientes das mesas vizinhas olhassem.
O barman hesitou se devia se aproximar, e Santiago pareceu perceber que estava agindo de forma estranha.

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