Era o fato de que, por mais que o pai de Santiago gostasse de Zenaldo, Zenaldo e ele não tinham laços de sangue.
Dito isso, ele não olhou mais para o rosto pálido de Oriana e virou-se para subir as escadas. Embora seus passos ainda estivessem um pouco incertos, sua coluna estava ereta. Aquele confronto permitiu que ele extravasasse parte de sua emoção reprimida e reafirmasse sua força e posição.
Oriana ficou paralisada no sofá, num misto de medo e raiva.
Só quando os passos de Santiago desapareceram no segundo andar é que ela voltou a si, agarrou a almofada ao seu lado e a atirou no chão com fúria!
— Santiago! Você me paga!
Hospital.
Hoje o médico particular que Gervásio contratou teve um imprevisto e não pôde vir, então Amália teve que vir sozinha ao hospital para o exame.
Amália estava sentada sozinha num sofá de canto, acariciando inconscientemente a barriga proeminente.
Ela já estava grávida de seis meses e, ultimamente, sentia-se extraordinariamente cansada.
O ambiente estava silencioso, mas a mente de Amália estava um caos.
Era a primeira vez que saía sozinha desde que a gravidez avançara, e era inevitável sentir um pouco de pânico.
Ela fechou os olhos, exausta, para descansar um pouco, e seus longos cílios projetaram uma pequena sombra sob os olhos.
Nesse momento, uma voz masculina suave soou ao lado, quebrando o silêncio.
— Com licença, senhora. Notei que seu rosto está um pouco pálido, não está se sentindo bem? — A voz era grave e magnética. — Quer que eu lhe traga um copo de água? Vi que está sentada sozinha aqui há um bom tempo.
Amália abriu os olhos subitamente e viu um homem vestindo um terno casual cinza-escuro parado ao seu lado.
Ele parecia ter quarenta e poucos anos, com um rosto elegante e bonito, usando óculos de aro dourado, exalando um ar de intelectualidade.
Mas o que mais chamou a atenção de Amália foi o olhar daquele homem.
Embora ela nunca tivesse visto aquele homem antes, quando ele olhava para ela, havia uma atenção e preocupação na medida certa, que não parecia ofensiva, mas transparecia uma inquietação sincera.
— Quando minha esposa estava de seis meses, a barriga dela era mais ou menos desse tamanho. Naquela época, eu olhava para a barriga dela todo dia, acabei pegando experiência.
Enquanto falava, seu olhar ficou subitamente distante, como se recordasse o passado.
Amália forçou um sorriso:
— Sua esposa tem muita sorte, o senhor é muito atencioso.
— Que nada, eu é que não fui atencioso o suficiente.
O tom do homem ficou subitamente mais baixo, mas logo ele se animou novamente:
— Você veio sozinha? Ninguém da família veio junto? Essa fila de exames de pré-natal é bem cansativa.
— Ele... está muito ocupado com o trabalho, não conseguiu sair. — Amália não queria falar muito sobre Marcelo e respondeu de qualquer jeito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias