Os passos de Santiago pararam bruscamente. Ele ficou de costas para ela, com os ombros tensos.
O álcool amplificou suas emoções. As palavras "minha casa" ditas por Oriana perfuraram como agulhas o fundo do coração de Santiago, tocando na dor oculta e no ressentimento sobre a morte prematura de sua mãe, o novo casamento de seu pai e a gradual usurpação daquele lar.
Ele se virou lentamente. Seus olhos, antes embriagados, tornaram-se subitamente lúcidos, com um olhar frio e afiado, cortando o rosto de Oriana como uma faca.
Aquele olhar fez o coração de Oriana falhar uma batida, mas confiando em sua posição de dona da casa e na aparente "decadência" de Santiago, ela não segurou a língua:
— Está olhando o quê?
— Eu disse alguma mentira? Olhe-se no espelho, você ainda parece um policial? Não passa de um bêbado de rua!
Santiago repuxou o canto da boca, soltando um riso baixo e rouco.
Naquele riso havia não apenas desprezo por Oriana, mas também autodepreciação.
Ele estava realmente lamentável, incapaz de proteger até quem amava.
Mas isso não significava que aquela mulher à sua frente pudesse pisotear sua dignidade ou delirar pensando que poderia roubar o que pertencia à sua mãe e a ele.
— Sua casa?
Ele repetiu suavemente, o tom calmo, mas carregado de um peso esmagador. Ele caminhou passo a passo até ela, sua sombra alta cobrindo completamente Oriana.
— Oriana, você mora nesta casa há mais de dez anos, será que ficou confusa... e esqueceu qual é o sobrenome original desta família?
Oriana foi intimidada por sua imponência, mas gritou, tentando disfarçar o medo:
— O... o que você quer fazer? Fale daí!
Santiago não parou. Chegou até o sofá e olhou para Oriana de cima.
— Acho que você vive com tanto conforto que esqueceu quem é.
Sua voz baixou ainda mais:
— Esta casa foi comprada pelo meu pai. A empresa foi fundada pelo meu pai. Meu sobrenome é Laginha. Esta é a minha raiz.
Ele estava lembrando a Oriana que tudo o que ela desfrutava era construído sobre a base da família Laginha, e que ela e seu filho eram apenas intrusos tardios.
Ele se aproximou mais, encarando os olhos apavorados de Oriana, e disse pausadamente, com clareza absoluta:
— Ouça bem. No dia em que eu me cansar e quiser voltar para a empresa... com aquela capacidade medíocre do seu filho, ele não terá nem a qualificação para sentar na mesma mesa que eu para competir.
— Você acredita nisso?
Oriana tremeu inteira, como se suas forças tivessem sido drenadas. Seus lábios tremiam, mas ela não conseguia dizer uma palavra.
Porque ela sabia que Santiago estava falando a verdade. Santiago geralmente não se importava em brigar com eles, mas se ele levasse a sério, ela e o filho seriam esmagados.
Santiago endireitou-se lentamente, olhando-a com desprezo.
— Portanto, não me provoque mais.
— Vocês dois, mãe e filho, fiquem quietos no seu canto e poderão continuar com sua vida mansa. Se continuarem sem noção, querendo bancar os importantes na minha frente ou armar esquemas...
— As consequências serão algo que você não poderá suportar!
Santiago falava sério. Por mais que Hélder Laginha se irritasse com Santiago e gostasse de Zenaldo, havia um fato que nem Oriana podia negar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias