— Aguenta só mais um pouco… logo isso tudo vai passar.
O homem pronunciou as últimas palavras com extrema suavidade, quase como se falasse consigo mesmo.
Ele permaneceu parado, observando Amália entrar no consultório. Somente quando a porta se fechou completamente é que o sorriso gentil em seu rosto desapareceu aos poucos.
Por trás das lentes de aros dourados, seu olhar tornou-se profundo e insondável, fixo na porta fechada, como se pudesse ver através da madeira o que acontecia lá dentro.
Sua mão direita acariciava inconscientemente o dedo anelar da mão esquerda.
Olhando com atenção, era possível ver uma marca clara de anel no dedo anelar esquerdo dele.
Depois de um tempo, ele se virou lentamente e saiu da área de espera sem pressa.
Ao passar por uma lixeira, ele parou, tirou outro cartão idêntico do bolso, rasgou o cartão em pedaços e jogou no lixo.
Sua figura se fundiu com as luzes e sombras do corredor do hospital, desaparecendo rapidamente.
...
Na mansão da família Barreto.
Era a tarde do terceiro dia em que Eduardo estava sob a guarda forçada de Reinaldo.
Quando Reinaldo entrou, Eduardo estava recostado em uma espreguiçadeira perto da janela, descansando com os olhos fechados.
Eduardo parecia tranquilo, sem a agitação do dia em que fora trancafiado.
A fechadura estalou e Reinaldo empurrou a porta.
Ele vestia um terno cinza-escuro impecável e segurava uma xícara de café, com um sorriso de preocupação perfeitamente medido no rosto.
— Pai, dormiu bem nos últimos dois dias?
Ele caminhou até a espreguiçadeira e colocou o copo suavemente na mesa de apoio, agindo como um filho devoto.
— O senhor já tem idade e sofreu muitos estímulos recentemente. Com medo de que não aguentasse, mandei prepararem este café especialmente para o senhor. Está na temperatura ideal, beba enquanto está quente.
— Tome para se fortalecer, é bom para acalmar e hidratar os pulmões.
— Pai, que tipo de conversa é essa?
— Estou fazendo isso para o seu bem. O senhor não sabe, mas desde o acidente com Jocelino, lá fora está uma confusão. O conselho administrativo está cheio de gente ambiciosa, estou apenas protegendo o senhor.
— O senhor já está idoso, ficar em casa repousando é o mais seguro. Por que não aceita minha boa vontade e ainda me acusa?
— Cheio de mentiras!
Eduardo abriu os olhos bruscamente, com um olhar afiado.
— Proteção?
— Reinaldo, você acha que estou senil? Que vou acreditar nessas baboseiras? Quem não enxerga suas intenções?
— Ficar falando essas palavras pomposas... não se sente hipócrita?
— Eu sinto náuseas só de ouvir!
— Não quero gastar mais saliva com você! Se ainda me considera seu pai, ordeno que abra essa porta agora!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias