Ao desembarcar do iate, Luana percebeu, com um aperto no peito, que não tinha para onde ir.
A casa que dividia com Luciano nem sequer merecia ser chamada de lar.
Depois da atrocidade repulsiva que ele havia cometido, voltar para lá estava fora de cogitação.
Ir para a casa de Célia... no estado deplorável em que se encontrava, também não era uma opção.
O mundo era imenso, mas parecia não haver um único refúgio para ela.
Por fim, ela discou o número de Bruna.
O telefone chamou cerca de sete vezes antes de ser atendido.
— Luana! O que houve? Aconteceu alguma coisa? — A voz de Bruna soou de imediato.
Luana fungou, tentando controlar o tremor:
— Bruna... onde você está?
— Ainda não voltei, estou em viagem de negócios. — Percebendo a fragilidade na voz da amiga, Bruna alarmou-se: — Você está chorando?
As lágrimas pinicaram nos olhos de Luana novamente.
Bruna entrou em pânico:
— Luana, o que aconteceu com você?! Fala comigo!
— Bruna... hoje à noite... tem problema se eu passar a noite no seu apartamento?
— Claro que não, imagina! — Bruna respondeu às pressas. — Você sabe a senha, é só entrar. Por que está me perguntando isso?
— Tá bom...
— Luana, me diz o que aconteceu! Você tem que me contar se estiver passando por algo!
— Eu sei. Eu te conto quando você voltar, pode ser?
Após tranquilizá-la um pouco mais, Luana finalmente desligou a chamada.
Ela pegou um táxi direto para o prédio de Bruna.
Bruna morava sozinha num apartamento estilo loft, que transbordava uma aura feminina e acolhedora.
Havia bichinhos de pelúcia espalhados até mesmo pelos degraus da escada.
Luana, que já conhecia bem o lugar, entrou e foi direto para o chuveiro. Depois, deitou-se na cama, com os olhos opacos fixos no teto.
Diversas partes do seu corpo estavam doloridas.
Mas, intimamente... ela não sentia nenhum desconforto óbvio.
Luana não tinha nenhuma experiência com a intimidade masculina, mas conhecia o básico da biologia humana.
Se ela realmente tivesse ido até o fim com Ulisses, era impossível que aquela região não apresentasse o menor sinal de dor.
Mas não. Para ele, ela não passava de um peão, um objeto de troca, um lixo descartável.
Anos atrás, em sua inocência, ela acreditou que, com dedicação e carinho, conseguiria aquecer o coração daquele homem.
Olhando para trás, ela não apenas desperdiçara três anos e entregara seu afeto à pessoa errada, como fora completamente cega. Cega por não perceber que estava casada com um monstro desalmado, um canalha hipócrita.
Naquele instante, Luana teve a clareza absoluta de que qualquer fagulha de amor que sentira por ele havia virado cinzas.
Se restava algum sentimento, era puramente ódio e nojo.
Ela não suportaria passar mais um segundo de sua vida atrelada a um homem tão asqueroso.
Ela precisava do divórcio. Imediatamente.
O celular voltou a tocar.
Ela encarou a tela por um longo tempo. Era Luciano, de novo.
Ele já havia ligado várias vezes, e ela rejeitara todas.
Ela temia que, se ouvisse a voz dele, não conseguiria conter o desejo de matá-lo.
Mas, agora, percebia que arruinar a própria vida por um verme não valia a pena.
Já havia desperdiçado três anos. A partir daquele momento, ela não permitiria que Luciano roubasse mais nenhum segundo de sua existência.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata
Continua bloqueado os capitulos do 30 a 144, como podemos ler os outros gratuitos assim?????????...
Poxa....Desbloqueia do 30 ao 144, pq do 145 para frente estão desbloqueado....
Pq tá bloqueado do 30 até o 144, e não bloqueado do 145 até o 165?...
Não vai abrir os capítulos gratuitos? Quero muito ler!...
Vai ter atualização?...
Esse livro é muito bom! Libera mais capítulos grátis por favor!...