— Eu não tenho avô, o senhor não precisa se preocupar.
Zélia temia que o velho Sr. Faro ficasse apreensivo, por isso não recusou nenhum dos que vieram puxar conversa com ela.
Vendo isso, o velho Sr. Faro ficou um pouco mais tranquilo e deixou de se importar com a situação por ali, voltando a conversar com seus velhos amigos.
Embora Zélia não tivesse recusado conversar, manteve-se reservada. Seu temperamento já era naturalmente frio; não gostava nem tinha facilidade para interações sociais.
A beleza gélida de Zélia era impressionante, mas sua frieza acabava afastando as pessoas. Era como se alguém insistisse em se aproximar de um bloco de gelo — muitos não aguentaram e se afastaram, até que não restou ninguém ao seu redor.
Marcelo observou toda a situação atentamente, esperando o momento certo para se aproximar.
Ele compreendeu a intenção do velho Sr. Faro e ficou um pouco frustrado: por que o avô não o incluíra nos planos?
Decidiu que encontraria uma oportunidade para declarar ao Velho Senhor seus sentimentos por Zélia.
Quando percebeu que Zélia já estava sozinha, Marcelo preparou-se para ir até ela, mas então viu Gilberto aproximando-se com sua cadeira de rodas.
Marcelo franziu as sobrancelhas, tomado por uma súbita inquietação.
Zélia, ao sair apressada de casa, não havia comido quase nada.
Agora, encontrando-se na área de sobremesas, pegou alguns docinhos, acompanhando-os com uma taça de licor de frutas.
O sabor agridoce do licor era excelente, e Zélia não resistiu a tomar um pouco mais.
— Srta. Rocha, a senhora realmente faz sucesso.
Sem que percebesse, Gilberto já estava ao seu lado.
Zélia teve a impressão — talvez equivocada — de que havia um tom de ciúmes em suas palavras.
Mas isso seria possível?
Zélia achou que estava sensível demais ultimamente, ou talvez um tanto egocêntrica, e rapidamente afastou tal pensamento.
Apenas lamentava pela condição das pernas de Gilberto...
Mas, com o avanço da medicina, quem sabe um dia ele pudesse se recuperar.
Marcelo até tentou se conter um pouco mais, mas não conseguiu.
Com o copo de vinho na mão, ele se aproximou.
O velho Sr. Faro, ao ver Marcelo indo naquela direção, franziu a testa, demonstrando desaprovação. Pensou que o neto não tinha nenhuma noção: como podia ir lá ser um incômodo?
— Zélia, Sr. Nunes.
O olhar de Marcelo cruzou com o de Gilberto. Apesar do sorriso, Gilberto sentiu de imediato a hostilidade de Marcelo — era o olhar de um rival.
Bastou esse instante para Gilberto perceber: Marcelo gostava de Zélia. Melodia Preferida era Marcelo, seu mais forte concorrente.

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