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Destino Alterado (Alicia S. Rivers) romance Capítulo 14

Meu pai parou bruscamente à beira de uma clareira em que havia um toco no centro. Eu escorreguei das costas do Loki e ele trotou para longe, para voltar a se transformar em humano. Então, voltou caminhando até mim e apontou para o centro.

— Vai. Senta ali.

Assenti e caminhei até o centro da clareira. As sombras das árvores ainda estavam densas, já que o sol acabara de romper a copa das árvores. Estremeci, não por causa da temperatura, já que lobos queimam por dentro, mas pela sensação da floresta. Parecia que algo estava ali. Algo que esperava por esse momento.

Virei-me para meu pai, que continuava parado à beira da clareira.

— Por que você ainda tá aí?

— Isso não é pra mim, é pra você. Já cumpri meu tempo nesse lugar.

— Seu tempo? Do que você tá falando?

— Este é um lugar sagrado. Essa clareira guarda o poder da nossa família, e está protegida contra ele.

— Contra ele? Pai, do que você tá falando?

— Só escuta. Senta no toco.

Acomodei-me no topo do toco de madeira e olhei de volta para meu pai, que disse:

— Agora tira os sapatos e as meias, e planta os pés no chão.

— Por quê?

O riso dele cortou o ar, até então silencioso. — Você vai questionar tudo o que eu disser? — Ele balançou a cabeça e fez um gesto com as mãos, incentivando-me a obedecer aos seus comandos.

Tirei os sapatos e as meias e arqueei uma sobrancelha para ele.

— Está feliz, agora?

— Sim. Agora, a primeira lição que você tem que aprender é a de se conectar com a natureza. A gente puxa nosso poder do mundo ao redor. Dar e receber, empurrar e puxar. Toda ação tem uma reação. — Meu pai plantou os pés no chão, montando uma base firme, e respirou fundo.

As árvores se inclinaram em sua direção, como se o ar que ele puxava as atraísse. Então ele expirou. As árvores se curvaram para trás e estremeceram com o vento, quase dançando como se estivessem felizes.

— Às vezes, a gente toma poder. Outras, como agora, a gente dá.

Minha boca estava escancarada e eu olhava ao redor.

— Como você fez isso? Meus olhos iam das árvores dançantes para o meu pai, e o rosto dele brilhava.

— Magia. — O riso dele era contagiante, e eu ri junto. — Agora, pra fazer isso, como eu disse, o primeiro passo é se conectar com a natureza.

— Como eu faço isso? — Minha mente explodia, e eu não fazia ideia de como me conectar com qualquer coisa que não fosse o meu celular.

— Concentre-se no ar ao seu redor, foque na maneira com que o vento sopra. Sinta seus pés, como a grama faz cócegas nas suas solas, como o chão te sustenta. Como as árvores puxam energia do sol e da terra. Como os animais sobrevivem da terra. Tudo está conectado, e uma vez que você se conectar com a terra, vai sentir tudo isso. Vai ser avassalador. Você vai se sentir... viva. Pela primeira vez na sua vida, vai se sentir verdadeiramente viva. É a única forma que consigo explicar.

Capítulo 14 1

Capítulo 14 2

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