A batida na porta me acordou e eu gemi. Eu não estava pronta para levantar e me encolhi mais na cama, ignorando a batida quando soou mais uma vez. "Ugh."
— O que foi? — Gritei. E a risada do meu pai, parado na porta, me fez abrir um olho.
— Passou um pouco da conta na festa da noite passada, né?
— Você sabe que sim. — Joguei meu travesseiro e me enterrei debaixo do edredom. Mas meu pai só jogou o travesseiro de volta em mim.
— Vamos. É hora de acordar.
— Mas eu não quero. — Gemi e peguei meu celular, percebendo que eram cinco da madrugada. — Pai... — Mas a risada dele interrompeu meu lamento.
— Desculpa, querida, mas o treino começa agora. — Ele veio até mim e arrancou o cobertor, fazendo-me gritar. O ar frio me despertou de vez, e eu quis reclamar mais, mas meu pai já estava de saída. — Se você não estiver lá embaixo, em cinco minutos, vou voltar aqui e jogar água gelada em você.
Gemi e esperneei antes de me levantar. Eu sabia que era uma atitude idiota, e que eu precisava ser melhor do que na minha vida passada, mas eu realmente queria continuar dormindo. Levantei-me, lavei o rosto e fui trocar de roupa. Coloquei uma regata e um short, prendi meu cabelo preto e calcei os tênis antes de sair correndo pela casa da alcateia até encontrar meu pai na porta da frente.
Esfreguei os olhos, afastando o sono, e quase rosnei ao ver o sorriso presunçoso dele.
— Por quê? — Eu ainda não conseguia formar uma pergunta coerente, e ele só riu de novo.
— Porque isso é uma coisa que vai levar bastante tempo pra você dominar, e temos que começar o quanto antes. — Joguei a cabeça pra trás e respirei fundo. Eu sabia que precisaria de controle, controle suficiente pra me esconder à vista de todos, então ele estava certo.
— Você está certo. — Esfreguei o rosto e dei uns pulinhos para espantar a névoa mental. — Vamos lá. — Meu pai deu um tapa nas minhas costas e saiu pela porta.
— Você já se transformou? — Meu pai descia os degraus da varanda quando fechei a porta.
— Ainda não. — Encontrei ele lá embaixo e ele assentiu. Foi até os arbustos à esquerda da casa e tirou a roupa. Menos de um minuto depois, Loki veio na minha direção. Sua pelagem preta brilhava e os olhos dourados cintilavam, seu corpo enorme chegava à altura do meu ombro. — Olá, Loki.
Olá, filhote. Suba. Temos um bom caminho até estarmos longe de olhares curiosos.


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