Esperei que caísse a ficha do que eu disse.
— O quê, ainda não entendeu? É como você mesma disse. Eu não posso te ordenar a se machucar. Tudo bem, vamos tentar com outro exemplo. E se eu mandasse você me dar todo o seu dinheiro?
Olhei para baixo, na direção dela, e ela desviou o olhar.
— Algo que você já fez, pelo visto. — Rosnei. Meus olhos brilharam. — Qual é o seu nome?
— Stephanie.
Liberei minha aura com força, e Nix assumiu o controle, enquanto eu me enfurecia.
— Faça polichinelos até eu mandar parar.
Os olhos de Stephanie se arregalaram, mas eu me virei para tentar conter minha loba. Ela começou a pular, e algumas garotas riram. Eu rosnei.
— Vocês acham engraçado? Querem se juntar à Stephanie? Ser forçada a fazer algo e não conseguir parar é uma sensação horrível.
Me virei de volta para as garotas, e Nix rosnou outra vez. Meu poder irrompeu novamente, lançando todas de joelhos.
— Todo mundo aqui vai fazer polichinelos até eu mandar parar.
Todas começaram, até mesmo Tina e Lynn, mas eu mandei que parassem.
— Qual é o plano? — Lynn se virou para mim.
— Nós três vamos passar por cada garota aqui e ordenar que nos digam se já usaram algum poder contra outra pessoa. Se disserem que não, podem parar. Se disserem que sim, continuam pulando.
Tina assentiu.
— Por quanto tempo?
— Eu direi quando puderem parar. — Retruquei, com o lábio curvado, e para dar o exemplo, fui até Cass e perguntei: — Você já usou seu poder para obrigar alguém a fazer algo contra a vontade?
Cass soltou o ar, com força.
— Não.
Seu rosto estava corado pelo esforço, e eu sorri.
— Pode parar. — Soltei um pouco de poder para libertá-la do comando e dei um tapa amigável em seu ombro. — As coisas vão melhorar. — Então, segui em frente.
Tina e Lynn caminharam comigo entre a multidão, liberando cada vez mais mulheres. Até restar apenas um pequeno grupo concentrado em torno de Amanda e Aurora. E não ficamos nem um pouco surpresas com isso.
Voltei para a frente e me virei para encarar todas.
Quarenta mulheres estavam de pé, algumas com as mãos nos joelhos, outras recuperando o fôlego. Entretanto, oito garotas ainda ofegavam, fazendo polichinelos.
— As demais podem ir embora, por hoje. Amanhã teremos uma nova sessão de exercícios, por isso, coloquem mais proteína em todas as refeições. Vejo vocês amanhã.
As mulheres se retiraram, exceto as que ainda pulavam.
— Você precisa que a gente fique? — Lynn se virou para mim, e eu assenti.
— Sim. Preciso de vocês aqui quando essas garotas desabarem.
— Nada me deu esse direito. — Ela respondeu, tremendo ainda mais.
— Então por que fez isso? — Esperei, mas ela ficou em silêncio. — Por que alguma de vocês achou que seria uma boa ideia mandar nos outros?
— Foi...
— Cala a boca! — Gritou Aurora, e eu a encarei com raiva.
— Você não manda aqui. — Ela rosnou para mim, mas o rosnado foi fraco. — Na verdade...
Uma ideia me passou pela cabeça e decidi testar.
Liberei meu poder sobre as mulheres à minha frente. Elas gritaram, mas continuaram pulando.
— Parem de fazer polichinelos.
Elas caíram no chão, ofegantes. Uma delas engatinhou e começou a vomitar.
— Prestem atenção. Ordeno que nenhuma de vocês volte a ordenar outro lobo novamente.
Aurora gritou:
— Isso não é justo! Eu vou ser uma Luna!
— Não. Você nunca será uma Luna. E, se por algum milagre, você virar Luna em algum lugar, não será capaz de comandar seus lobos, porque provou que não é digna desse poder. — Virei-me para Tina e Lynn. — Levem essas garotas para casa. Se precisarem de atendimento, chamem o médico da alcateia. Mas todas devem voltar amanhã.
Elas assentiram, e eu fui embora.

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