— Eu sou exatamente igual a ela...
— Bem, você tem o nariz da sua mãe. — Meu pai riu. — Não queria te assustar. — Em seguida, ele olhou atentamente para a foto e depois para mim, então disse: — Foi daqui que viemos, Amy. — Ele deu um leve toque na fotografia. — Nosso poder vem dela. Temos que agradecer a ela por tudo o que somos capazes de fazer para proteger a nossa alcateia.
— Você usa seu poder para proteger a alcateia? — Encarei seus olhos.
— Claro. Fazemos o que precisa ser feito. — Meu pai se sentou novamente e enxugou o rosto. — Enfim... vamos deixar isso de lado por agora. Quais são seus planos para as meninas?
— Eu ordenei que qualquer uma que estivesse usando seu poder para exigir coisas de lobas mais fracas nunca mais fosse capaz de dar ordens. — Desviei o olhar do rosto dele. Eu sabia que isso não cairia bem.
— Amy!
— Eu sei, eu sei. Parece que vai contra a lei, mas tem algo estranho acontecendo com elas. Uma das meninas ia dizer algo, mas outra a interrompeu, mandando que calasse a boca usando o comando. Então, eu garanti que ela não pudesse mais dar comandos.
— Mas você não pode combater o erro cometendo outro.
— Dar ordens a alguém de posição inferior é malvisto quando não é do interesse da alcateia. Apenas lobos com posto podem dar ordens a lobos abaixo deles. Ordenar que um lobo de posto deixe de usar seu comando é proibido. — Recitei as regras do conselho. — Em nenhum lugar está escrito que eu não posso remover o poder de comando de um lobo sem posto. Eu tive o cuidado de agir dentro da lei. — Lancei o cabelo para o lado.
— Você está forçando a barra, Amy.
— Eu sei, mas foi pelo bem da alcateia. Essas lobas estavam violando a lei, vai saber lá há quanto tempo, e isso bem debaixo do seu nariz, torturando as lobas mais fracas até que virassem praticamente escravas.
— Ei, vai com calma... Acho que isso já é um pouco exagerado. — Meu pai passou os dedos pelos cabelos, mas eu apenas levantei a sobrancelha.
— Será? Elas obrigavam as lobas mais fracas a fazer as tarefas delas, entregar comida, roupas... Algumas exigiam até dinheiro. Se as mais fracas resistiam, eram torturadas com a aura e agredidas fisicamente até cederem. Elas escolhiam certas meninas para serem alvos diários. Forçavam algumas a pular refeições, cortar os cabelos, usar roupas ridículas ou provocantes. Uma das meninas me contou que até tentaram obrigá-la a rejeitar o seu companheiro...
— O quê?
Apenas assenti com a cabeça.
— Por que isso nunca chegou até mim?
— Aurora colocou todos sob influência de algum tipo de feitiço. Sempre que alguém tentava falar com alguém que não fosse uma das fêmeas Beta ou Gama, era completamente ignorada. — Recostei-me e observei meu pai se perder em pensamentos. Então, levantei e dei um tapa no rosto dele.
— O que foi isso? — Ele esfregou a bochecha, e eu me joguei de volta na cadeira.
— Toda vez que digo o nome dela, seus olhos ficam vidrados, como se estivesse bêbado. Bêbado por causa dela. — Terminei de comer meu prato, enquanto ele digeria o que eu dizia. Então, Manda trouxe minha sobremesa. — Crème brûlée, minha preferida.


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