— O que é para a gente fazer?
— Eu não sei. — Dei de ombros. — Mas, se consegui encontrar vocês nesta vida, tenho certeza de que vou conseguir encontrar no mundo espiritual.
Dei a elas um sorriso triste.
— Na minha vida, eu só tive minha amiga Cass, que é minha irmã de alma. Eu soube, assim que nos conhecemos, que era para ser assim. Quero que vocês saibam que, com vocês duas… Eu senti a mesma coisa. No instante em que vocês sentaram ao meu lado na cantina, eu soube que tinha encontrado vocês. Que era para sermos amigas. Nós nos conectamos no momento em que decidiram se sentar e ser minhas amigas. Conectadas de um jeito que vem da alma.
As duas assentiram.
— Nossas lobas trabalham juntas. — Toya fechou os olhos e, quando os abriu, a loba dela estava ali. — Você é minha luna.
Eu recuei diante dessa confissão.
— Não posso ser. Você é luna por direito próprio.
— E, ainda assim, se você pedisse, eu a seguiria para as terras selvagens e nunca mais voltaria. — O olhar de loba sumiu dos olhos dela, e vi o reconhecimento humano ali. — Eu concordo com ela.
— Eu também. — Olhei para Wendy e encontrei Wyn me encarando. — Você é minha luna, minha alfa, minha amiga.
Wyn desapareceu, deixando minhas duas amigas me encarando enquanto eu me atrapalhava para responder.
— Nós sabemos qual é o nosso lugar, Amy.
— E acho que sabemos o que fazer. — Toya sentou-se à minha esquerda, Wendy à minha direita. — Você pode começar agora. Nós vamos trazer você de volta.
Eu me ajeitei e puxei a tigela de metal para mais perto.
— Certo.
— Espera! — Wendy pulou e correu para a cozinha, deixando nós duas confusas. Voltou com um prato, me confundindo ainda mais.
— Para as velas ficarem apoiadas. — Ela o colocou na minha frente antes de se sentar de novo.
— Certo… — Coloquei o prato atrás da tigela. Wendy pegou uma vela extra da caixa e a acendeu. Pingou algumas gotas de cera no prato e usou para fixar as velas branca, preta e roxa no lugar.
— Assim elas não caem nem deixam cera no chão. — Ela fez um gesto com a mão, e eu tive vontade de me bater.
— Você pensa em tudo, Wendy. — Toya sorriu largo para ela, e vi um leve rubor subir em suas bochechas. Interessante.
— Não está funcionando. — Levantei-me, irritada. Passei por cima do altar e me virei, com as mãos na cintura. — Eu não sei o que fiz de errado.
Mas Toya e Wendy continuavam me encarando. Meu corpo estava exatamente onde eu o tinha deixado. Minhas mãos repousavam abertas sobre os joelhos e meus olhos permaneciam fechados. Mas eu estava na frente da tigela, no chão.
Eu consegui. Eu tinha me separado do meu corpo e agora estava andando apenas como espírito.
— Concentre-se na missão, menina. — Virei-me e vi minha avó sentada na minha poltrona.
— Vó. — Corri até ela e ela sorriu. Ela se levantou e segurou meu rosto nas mãos e, pela primeira vez, eu consegui senti-la.
— Eu consigo sentir você. — Me joguei nos braços dela, sentindo a alma dela encostada na minha.
— Foque, ou você vai perder seu elo com o mundo dos vivos. — Ela me abraçou rápido e pressionou os lábios na minha testa.
— Não deixe o mundo espiritual te afastar demais do caminho. — Ela me virou de volta para o meu corpo. — Siga o poder.
Eu encarei a mim mesma e percebi que havia uma fina corrente negra entrando no meu peito.
— Salve suas lobas, ou morra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Destino Alterado (Alicia S. Rivers)
O livro está como concluído porém terminaram sem continuacao falta ainda o conselho emacharmos licans e chato pararem no ápice do livro...