— Como assim você ainda não sabe como voltar? — Toya deixou cair a tigela de metal com que tinha voltado para a sala. Ela conseguiu segurá-la antes que batesse na minha mesa de centro de vidro, mas foi por pouco. — Pela deusa.
Ela colocou a tigela com cuidado sobre a mesa e se virou para mim.
— Fala. — Ela parecia furiosa.
Eu ergui as mãos em sinal de rendição.
— O livro… Ele me ensina a fazer certas coisas. Mas voltar para o meu corpo não está lá. Só dizia que eu precisava de uma âncora. — Apontei para as duas. — E eu tenho duas.
Wendy balançou a cabeça.
— Nós não vamos servir de nada se você não souber o que está fazendo.
Eu dei de ombros.
— Não tenho outra escolha. Ou eu atravesso essa ameaça, ou morro. — O silêncio pesado tomou conta da sala.
Toya se sentou ao lado de Wendy com um suspiro.
— Diz o que a gente tem que fazer.
Eu assenti e fui buscar meu livro. Voltei para a sala e as duas ainda estavam sentadas lado a lado, com uma expressão meio perdida.
— Certo, aqui está… Caminhada espiritual. Siga o fio da conexão e busque o que deseja encontrar. — Li em voz alta. — Precisamos afastar a mesa do sofá. Preciso ficar encostada em alguma coisa.
Wendy e Toya se levantaram e empurraram a mesa para o outro lado da sala, abrindo um bom espaço para eu trabalhar. Peguei a tigela e a coloquei no chão, bem à frente de onde eu me sentaria.
— Certo, e agora? — As duas se aproximaram de mim.
— Preciso de três velas: uma branca para trazer energia positiva e cura; uma preta para expulsar energia negativa e quebrar o feitiço contra mim; e uma roxa para aumentar minha espiritualidade e intuição, para conseguir me separar do corpo.
Fui até meu quarto e peguei uma caixa que eu tinha preparado para poder praticar. Voltei com ela e Wendy e Toya começaram a revirar, procurando o que eu precisava.
— O que mais? — Wendy continuou mexendo na caixa.
Olhei novamente para o livro, na lista.
— Angélica, beladona, cardo-santo, tanaceto para a caixa. E das sacolas de compras precisamos de manjericão, louro, tomilho e sal grosso. — Toya foi até as sacolas no balcão e, em segundos, já estava com tudo na mão.
— Mais alguma coisa?

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