Eu tinha vontade de vomitar.
— Sorria. — Megan se aproximou mais. — Sorria e aceite a oferta gentil e estúpida dele, assim a gente pode se aproximar.
Desviei o foco da carta em minhas mãos e me concentrei na minha loba, que ficava mais agressiva a cada momento.
— O que diabos ele quis dizer dizendo que você o rejeitou? — Gritei para ela. — Eu pensei que a gente tinha esperado. Quando isso aconteceu?
Procurei Nix com os olhos.
Megan me lançou um olhar furioso, e continuava desafiadora.
— Foi uma vez, quando Nina veio mexer com a gente. Eu vi uma oportunidade e aproveitei. Só deixei você fora disso para que pudesse se concentrar em coisas mais importantes.
Tipo, e quanto a Megan? O que poderia ser mais importante do que minha loba rejeitar o companheiro dela?
Nix saiu correndo das árvores e parou derrapando entre nós.
— Você mentiu para nós. — Ela soava ferida, tão ferida quanto eu me sentia. — Poderíamos ter estado lá por você.
Deveríamos ter estado, mas você nos escondeu isso. E manteve em segredo até agora, por quê? Tínhamos avançado tanto neste último ano juntas, e você ainda nos deixou de fora. Senti como se tivessem tirado o ar dos meus pulmões. A dor daquela traição parecia minar todo o trabalho que fizemos juntas. Enquanto eu e Nix nos esforçávamos para superar a mágoa e a culpa que tínhamos uma da outra e que nem percebíamos que existiam, Megan escondeu aquilo de nós.
— Eu sinto muito. — Ela não soou nem um pouco arrependida, mas continuou a andar em círculos. — Só que vocês duas estavam loucas por homens e eu precisava de paz. Eu precisava me curar. E que a Deusa da Lua me poupasse de ter de lidar com esse homem insuportável da porra todo santo dia. Correndo atrás da gente como um cachorrinho perdido.
Megan girou no próprio eixo, o pelo eriçado.
— Ele me matou. Matou meu filhote, e então eu tive de acordar de novo e passar por essa merda toda outra vez. Vocês não entendem.
Senti como se tivesse levado um soco. A dor batia dentro do meu peito enquanto eu pensava no meu filhote, meu filho. Pensei em cada momento que tive com ele, só para vê-lo arrancado de mim e então, agora, ter minha loba tentando dizer que ele era só dela doeu. Um silêncio imenso se abriu entre nós e então eu sussurrei de volta:
— Ele nos matou, e matou nosso filhote. Nós compartilhamos este corpo, nossas almas. Cada vitória, cada derrota, cada amor e, acima de tudo, cada dor nós compartilhamos. Todas nós. Ele também era meu filhote. Eu sussurrava para ele toda noite. Eu cantava para ele todo dia. Eu me certificava de que ele tivesse todos os nutrientes de que precisava. Eu preparei o quartinho dele e fui a todas as consultas médicas. Ele também era meu.

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