Olhei para cima, para minha avó, quando ela me forçou a sentar novamente. Minhas perguntas voaram da minha boca e ela sorriu ao se acomodar ao meu lado.
— Como eu a encontro? Como eu encontro a sua cabana a partir daqui? A gente estava ao menos perto?
Ela pegou minhas mãos.
— Acalme-se, minha menina. Foque em mim. — Ela inspirou pelo nariz e soltou o ar pela boca. — Siga meu ritmo. Iguale-se a mim e, quando estiver centrada, nós vamos encontrar a sua menina.
Minha menina. As palavras soavam tão estranhas, mas, quando pensei de novo nelas, algo se assentou na minha alma, e ela estava certa. Ela era minha, quase tanto quanto era de Carl. Eu foquei nos olhos dela, igualando a minha respiração à dela. Ela assentiu.
— Ótimo. Agora feche os olhos. E visualize aquela garotinha.
Mais uma vez fechei os olhos e me lembrei da garotinha brilhante e risonha que eu conheci pela primeira vez na loja de Carl. Tão pequena e ainda assim tão radiante. Os cachinhos loiros dela dançavam na luz. A proteção de Carl, a inocência dela, tudo voltou com força. E também voltou o pânico que eu senti quando a encontrei no chão, os olhos muito abertos e a pele fria.
Lembrei como ela parecia nos meus braços, o corpinho minúsculo quando eu a ergui do chão. A preocupação quando ela começou a tremer no meu colo. Eu era tão nova com crianças, tinha acabado de perder meu próprio filhote e de renascer. Eu não sabia o que fazer, mas eu sabia que iria protegê-la de Vince e Brandon.
— Muito bem. — A voz dela saiu suave, tranquilizadora. — Agora se lembre do rosto dela.
Vieram à mente as maria-chiquinhas loiras e brilhantes, os olhos castanhos macios como chocolate, o rosto lambuzado de manteiga de amendoim quando ela saltitou para fora da sala dos fundos.
— Aí está. — De algum modo, minha avó via o que estava na minha cabeça. — Olhe para ela. Ela é linda, a nossa menina, não é?
Eu sorri porque, de novo, ela estava certa. A nossa menina era linda. E eu ia protegê-la com a minha vida.
— Isso. Minha menina, foque no rosto dela e na necessidade de protegê-la. Ela está em perigo e ela não vai aguentar se a gente não chegar a tempo.
O pânico borbulhou no meu peito, mas eu o reprimi. Carly não estava segura. Concentração. Eu puxei mais algumas respirações calmantes e trouxe o rosto dela de volta para mim.
— O que eu faço agora?
— O que você acha? — Ela me questionou. — O que você sente?

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