A repulsa de Eduarda era nítida, como se ela fugisse de uma praga contagiosa.
Cícero sorriu com amargura mais uma vez.
Ele lutava contra o desejo desesperado de perguntar por que ela não podia lhe dar um único sorriso ou dizer uma palavra gentil.
Mas as palavras morriam em sua garganta antes de serem pronunciadas.
Cícero ajeitou-se na cadeira, ficando de frente para Adilson e lado a lado com Eduarda.
— Vovô. — Cumprimentou Cícero.
Adilson acenou com a cabeça e examinou as feições do seu herdeiro.
O rosto do homem exibia um cansaço e uma desolação impossíveis de esconder.
O patriarca sentiu pena, mas sabia que as pendências do dia precisavam ser resolvidas sem fraqueza.
Só assim o destino de todos retornaria aos trilhos corretos.
Adilson pousou a tigela de caldo e limpou os lábios com um guardanapo de linho antes de abrir a boca.
— O prazo de dois dias acabou, Cícero, você já tomou a sua decisão?
A pergunta do velho soou como um ultimato.
Cícero sabia que não havia mais escapatória para aquele dia.
Se tentasse fugir, o seu avô usaria métodos implacáveis para forçar a sua submissão, tornando a situação um verdadeiro inferno.
Ele assentiu, ciente da triste ironia de que, apesar de ser visto pelo mundo como um homem poderoso acima dos meros mortais, ele ainda era um prisioneiro das correntes do seu próprio avô.
O seu casamento arranjado há seis anos e o divórcio inevitável de hoje provavam exatamente isso.
Naquele exato instante, um pensamento inusitado cruzou a mente do magnata.
Se ele não carregasse o sangue da família Machado, será que teria o poder de segurar o próprio destino em suas mãos?
Um suspiro pesado escapou dos seus lábios.
A expressão de Adilson mudou sutilmente após a confirmação, e ele ordenou ao administrador da casa que o ajudasse a subir as escadas, guiando todos até o escritório principal.
Eduarda seguiu os passos do patriarca e tomou o seu assento.
Cícero foi o último a se acomodar na cadeira.
Os dois permaneceram lado a lado, de frente para a imponência de Adilson.
A mulher retirou uma pasta da sua bolsa de grife, abriu os documentos e os empurrou na direção de Adilson.
— Eu já assinei a minha parte, vovô, agora só falta ele. — Declarou Eduarda, fria, sem emoção.
— Entendo. — Adilson transferiu o olhar para o neto. — E onde está a sua cópia?
Cícero continuou paralisado.
Adilson pigarreou de forma autoritária.
— Não se esqueça das minhas palavras e saiba diferenciar o que deve ou não ser feito, pois você sempre foi um garoto obediente, Cícero.
Derrotado, Cícero fechou os olhos por um segundo antes de pegar o celular e ligar para Damiano.
— Pode subir com os papéis.
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