Depois de dizer isso, Rafael foi embora. Ele não queria perder mais tempo com Cícero. Já que não conseguiu extrair nenhuma informação útil dali, teria que continuar as buscas por conta própria.
A sala privativa ficou novamente vazia, apenas com Cícero.
Ele abaixou a cabeça, apoiou-se no balcão gelado e, lentamente, seus ombros começaram a tremer de leve.
Cícero abriu outra garrafa de bebida, misturando seus soluços contidos e a dor no coração com o álcool, e engoliu tudo de uma vez.
Não que ele nunca tivesse cogitado qual seria a reação de Eduarda ao acordar e vê-lo; ele apenas não tinha coragem e se recusava a pensar nisso.
O amor que outrora existiu havia se desfeito ao vento há muito tempo. Depois de tantas feridas e mágoas, o que restaria?
Ele temia imaginar. Se não pensasse naquilo, não sentiria aquele aperto no peito, e ainda poderia continuar se enganando.
Muito tempo depois, um pequeno soluço sufocado escapou pelo silêncio da sala privativa.
.
Parque Tropical.
Weleska não via Cícero voltar para a mansão há quase um mês.
Durante esse período, ela ligou inúmeras vezes, mas quase nenhuma das chamadas foi atendida. Nas raras vezes em que alguém atendeu, era apenas Damiano do outro lado da linha.
O temperamento de Weleska vinha piorando dia após dia. Ela constantemente descontava sua raiva nos criados da mansão, provocando um mar de reclamações silenciosas entre a equipe.
Após ordenar ao mordomo que tentasse contatar Cícero para que ele voltasse e falhar mais uma vez, Weleska chegou ao seu limite.
Weleska questionou furiosa:
— Você não disse a ele que eu não estava me sentindo bem? Eu carrego no meu ventre um herdeiro da família Machado! Como o senhor pode se recusar a voltar?!
O mordomo respondeu com resignação:
— Realmente não consegui falar com o patrão. Contudo, ele deixou ordens de que, se a Senhora Castilho sentisse algum desconforto, poderíamos chamar o médico particular residente para examiná-la, ou eu poderia providenciar para que a levassem a um dos hospitais do Grupo Machado. O que a senhora prefere?
— Não é necessário!
Weleska respondeu irritada, antes de bater a porta do quarto com força.
Sentada em sua enorme cama, Weleska começou a refletir sobre a sua situação atual.
Continuar naquele impasse com Cícero não daria em nada. Ela não tinha bebê nenhum no ventre. Conseguia esconder a falsa gravidez por algum tempo, mas à medida que os meses passassem, a mentira seria insustentável.
Ela também não podia ir ao hospital do Grupo Machado ou permitir que qualquer outro médico a examinasse; isso destruiria sua farsa imediatamente.
Ela precisava usar essa mentira da gravidez rapidamente para conquistar o coração de Cícero de volta, impedindo que ele pensasse em Eduarda.
Decidida, Weleska pegou o celular, contatou o hospital e as pessoas que faziam seus serviços sujos, e detalhou o seu plano.
Se estar ferida fazia Cícero sentir pena, por que ela não poderia sofrer um ferimento também?
Tudo foi arranjado rapidamente para o dia seguinte.

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