Ele agora daria tudo o que tinha para obter notícias de Eduarda, mas parecia que o destino estava brincando com ele, fazendo com que, por mais que procurasse, não a encontrasse em lugar nenhum.
Roberto já esperava que Cícero provavelmente não concordaria, então, sem se irritar, disse:
— Cícero, seu avô só fez isso para o seu bem. Não continue resistindo às boas intenções do velho, você vai acabar partindo o coração dele.
Desta vez, Cícero não deu justificativas, apenas respondeu:
— Não tenho interesse em trabalhar no exterior. Tio Roberto, pode voltar e dizer ao avô que, se vocês realmente não suportam me ver aqui, podem suspender todos os meus trabalhos. Eu não me importo.
Após dizer isso, Cícero se levantou e dirigiu-se a Damiano:
— Acompanhe o tio Roberto até a saída. Tenho coisas a fazer e não poderei acompanhá-lo. Fique à vontade.
Cícero virou-se e entrou no escritório anexo à suíte. Damiano, por sua vez, levantou-se para acompanhar Roberto:
— Presidente, o Sr. Machado provavelmente tem assuntos a tratar. Por favor, queira me acompanhar.
Roberto olhou na direção em que Cícero havia desaparecido, deu uma risada baixa e saiu junto com seu secretário.
Quando a porta da suíte presidencial se fechou e Roberto chegou ao elevador, virou-se para o secretário e ordenou:
— Amanhã, entre em contato com alguém para espalhar a notícia na filial estrangeira de que Cícero assumirá o cargo. E mande os documentos da empresa no exterior para o assistente dele.
O secretário hesitou um pouco antes de falar:
— Mas o Sr. Machado não quer assumir o cargo no exterior. Se fizermos isso, será que ele não vai se rebelar? E se ele se recusar firmemente a ceder?
— Se ele não ceder, será ainda mais fácil de lidar — Roberto murmurou sombriamente enquanto entrava no elevador. — Quanto mais ele resistir, mais agravará o conflito entre ele e Adilson. Se surgir uma brecha entre os dois, será cem por cento vantajoso para mim.
Roberto mal podia esperar que Cícero perdesse o favor de Adilson. Assim, as chances de ele próprio conseguir a maior parte das ações que estavam nas mãos de Adilson aumentariam consideravelmente.
No fim das contas, tudo se resumia àquelas ações.
— Quarenta por cento das ações... — refletiu Roberto em voz alta. — Se eu conseguir apenas um pouco mais do que Cícero, terei o controle absoluto. Quando esse dia chegar, Cícero não terá mais a oportunidade de fazer escolhas. Mesmo que queira recusar algo, ele não terá mais o poder de fazê-lo.
O secretário concordou:
— O senhor tem toda a razão, presidente. Sua visão a longo prazo é impecável.
Roberto apenas bufou enquanto o elevador descia para o subsolo. Em seguida, entrou em seu carro e deixou o hotel.

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