Cícero seguiu Eduarda e entrou no maior escritório, localizado no fim do corredor.
Assim que entraram, Eduarda não perdeu tempo com formalidades. Sentou-se diretamente na cadeira atrás da mesa e ergueu os olhos para ele.
Cícero já vinha observando aquele estúdio havia algum tempo. Ter um imóvel tão amplo, independente e em uma localização tão valorizada era algo que ele nunca tinha associado a Eduarda no passado.
A atmosfera de todo o estúdio não deixava nada a dever a nenhuma grande empresa de design do mercado, ainda mais sendo o estúdio particular da Ember. O profissionalismo era evidente.
Mas foi só ao entrar no escritório pessoal de Eduarda que Cícero sentiu de fato o peso daquela realidade.
O espaço era amplo e nada modesto, mesmo se comparado ao que ele próprio estava acostumado a usar. Por ficar no térreo, as janelas do chão ao teto se abriam para o gramado e o jardim do lado de fora. O ambiente transmitia frescor, e o verde lá de fora suavizava a frieza moderna e corporativa da decoração. Assim como a própria Eduarda, aquele lugar agora contrastava fortemente com o passado.
Cícero se aproximou e sentou-se na cadeira diante da mesa.
Naquele momento, os dois compartilhavam uma sensação estranha.
Antes, era sempre Eduarda quem ia ao escritório dele e se sentava na cadeira de visitante. Agora, os papéis haviam se invertido.
Cícero abaixou a cabeça e soltou um sorriso contido. A relação dos dois também não tinha passado pela mesma reviravolta? Antes, era ela quem corria atrás dele; agora, era ele quem a perseguia sem sucesso.
Eduarda, porém, não tinha disposição para mergulhar em nostalgia com ele.
Ela interrompeu os devaneios dele de forma direta:
— Não precisamos enrolar. Vou ser direta. Você sabe o que o seu tio Roberto está fazendo agora?
A ternura no olhar de Cícero se dissipou aos poucos, dando lugar a uma expressão séria.

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