Com a voz finalmente um pouco mais branda, Weleska perguntou:
— Mas o que está acontecendo com a família Machado? O que o tio Roberto está aprontando?
Cícero desconversou, sem dar detalhes:
— Só vou entender a real dimensão do problema quando chegar lá. Então, Weleska, pare de fazer escândalo. Estou voltando para resolver assuntos sérios.
Sabendo que, se continuasse com aquele chilique, Cícero poderia mandá-la embora de vez, Weleska mordeu a língua e não retrucou.
— Então eu vou com você, Cícero. Quero ficar ao seu lado. E também estou morrendo de saudade do Arthur e do Gildo — pediu ela, com uma voz mansa e calculista.
A menção aos filhos tocou em uma ferida sensível. Sem coragem de negar, Cícero apenas assentiu.
— Peça ao Damiano para providenciar sua passagem. Quando chegarmos, ele vai levá-la em segurança para ver as crianças.
Weleska concordou, dócil na aparência. Mas, no fundo, as crianças eram o menor dos seus problemas. Seu verdadeiro plano era vigiar cada passo de Cícero como um falcão, pronta para apagar qualquer faísca que pudesse reacender entre ele e Eduarda.
Damiano agiu com a eficiência de sempre e logo acomodou Weleska na primeira classe. O voo decolou no horário previsto, cruzando o oceano de volta ao aeroporto de Porto de Safira.
Ao aterrissarem, Damiano chamou o motorista da mansão para buscar Weleska e se encarregou de levar Cícero para longe do aeroporto.
— Para onde vamos agora, Sr. Machado? — perguntou Damiano, com as mãos no volante.
Cícero repassou o endereço que havia recebido. O local ficava em um bairro nobre.
— Que lugar é esse? — perguntou o assistente, tentando se lembrar.
— Não faço ideia — confessou Cícero, com a voz embargada. — Foi o endereço que ela me passou para o nosso encontro. Só dirija.
Entendendo na hora que aquela era uma exigência de Eduarda, Damiano se calou, acelerou e traçou a rota no GPS.
O destino era o ateliê Nova Aurora, o estúdio criativo da Ember.
Lá dentro, Pérola observava pelas enormes janelas de vidro. Havia um imponente Bentley parado na calçada havia bastante tempo.
— Quem será que está ali? Faz tempo que estão parados aí na frente. É algum cliente novo, Sr. Guerra? — perguntou ela, curiosa, virando-se para o colega.
O Sr. Guerra também se levantou e foi até a janela.

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