Aquilo era simplesmente inacreditável.
A mente de Eduarda entrou em parafuso. Ela caminhou até as janelas de vidro do chão ao teto, andou de um lado para o outro por um instante e depois voltou, encarando Cícero com total perplexidade.
— O que está passando pela sua cabeça? Nós já estamos divorciados. Você quer que eu volte por algum tipo de prazer doentio? Eu sinceramente não consigo entender que sentido haveria em juntar de novo duas pessoas que já não sentem nada uma pela outra!
Diante da agitação de Eduarda, Cícero permaneceu sentado, inabalável. Seus olhos estavam baixos, fixos no envelope pardo com o contrato. Se Eduarda se dispusesse a olhar de perto, veria o quanto havia de dor e desolação naquele olhar.
Mas, no fim, ela não estava disposta a olhar com atenção.
O pomo de adão de Cícero se moveu, e ele falou com dificuldade:
— Talvez antes não houvesse, mas agora eu não consigo mais abrir mão de você. Não tenho outra saída, Eduarda. Espero que você consiga me perdoar.
Eduarda sentiu puro desprezo pela forma como ele estava se aproveitando da situação.
— Eu realmente não entendo. Por que você ficou obcecado por mim depois do divórcio? Qual é o sentido disso? — continuou ela, incapaz de compreender.
Ao vê-la assim, Cícero não sabia por onde começar.
Eduarda já não se lembrava do passado deles e, mesmo que ele contasse, ela provavelmente não entenderia.
Além disso, ele não ousava tocar naquelas memórias para não despertar algo nela. Afinal, a estabilidade física e emocional de Eduarda era sua prioridade absoluta.
Por isso, decidiu contornar a parte mais pesada da verdade:
— Talvez tenha sido só depois da separação que eu percebi que não consigo viver sem você. Percebi tarde demais a sua importância. Só peço uma chance para recomeçarmos.

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