Depois de descontar sua raiva, Weleska levantou-se abruptamente e deixou o restaurante.
Praia Dourada Residence.
Quando Cícero e Arthur voltaram para casa, não viram nenhum sinal de Eduarda.
— A senhora está em casa? — perguntou Cícero.
O administrador da casa respondeu:
— Está sim, senhor. Quando a senhora chegou, parecia bastante exausta. Acredito que já tenha ido dormir.
Cícero ficou momentaneamente paralisado e olhou para o relógio de pulso. Eram quase nove horas da noite; ainda faltava um tempo para o aniversário dela acabar. Mas, se Eduarda já estava deitada, ele realmente não poderia perturbá-la.
Ele ergueu o olhar em direção ao quarto de Eduarda. Após um longo momento, desviou os olhos e soltou um suspiro profundo.
— Arthur, sua mãe já foi dormir, então não vamos incomodá-la. Vá deitar você também — aconselhou Cícero.
O rostinho de Arthur estampou a decepção, mas ele assentiu:
— Está bem. Eu procuro a mamãe amanhã de manhã. Papai, vá dormir cedo também, viu?
— Uhum — murmurou Cícero. Depois de ver Arthur seguir a babá até o quarto, ele se trancou no escritório.
No escritório escuro, Cícero não acendeu as luzes. Sentou-se no chão, encostado perto da janela, segurando o anel que não havia conseguido entregar. Ficou ali, encarando a joia, saboreando sozinho o gosto amargo da dor em seu coração.
Eduarda achava que tinha deixado tudo bem claro no dia do seu aniversário, e que Cícero iria recuar diante da rejeição.
No entanto, passado o dia, Cícero e Arthur pareciam ter esquecido completamente tudo o que aconteceu.
Eduarda sentia-se impotente. Já havia dito tudo o que precisava ser dito, mas pai e filho continuavam agindo da mesma forma, tentando reatar os laços com ela.
Ela continuava resignada, até que as coisas começaram a tomar um novo rumo.
Elisa ligou para Eduarda e convidou a família inteira para ir à sua casa de campo conversar. Como era sobre negócios, Eduarda acabou aceitando.
Enquanto Eduarda e Elisa cuidavam das duas crianças, Evandro e Cícero foram discutir o assunto da última vez.
— Estou reunindo as informações de que você precisa. Alguns documentos são difíceis de conseguir; vou precisar acionar alguns contatos — disse Evandro.
Cícero assentiu com a cabeça:
— Obrigado pelo esforço, Sr. Castro. Se precisar de mim para qualquer coisa, é só chamar.
A preocupação do secretário tinha fundamento, e Roberto também temia isso:
— Mas não podemos atacar o Evandro sem um bom motivo. Ele pode ter em mãos as provas das coisas ilícitas que fizemos no passado. Esse cara é muito astuto, não podemos mexer com ele de qualquer jeito.
Os olhos do secretário brilharam com uma ideia:
— Sr. Machado, e se usarmos o Evandro como escudo? Já que não podemos lidar com ele diretamente, podemos colocá-lo em uma posição arriscada, desde que o Cícero também não desconfie de nada.
Roberto perguntou:
— O que você quer dizer?
O secretário explicou:
— Antes do Cícero voltar, quando o senhor ainda era o presidente do grupo, várias empresas nos procuraram buscando parcerias. Algumas delas claramente tinham problemas, mas na época nós não fizemos uma verificação de antecedentes tão detalhada. O dinheiro deles entrou nas nossas contas sem problemas, mas agora essas empresas estão começando a apresentar falhas. As autoridades vão investigar a origem desses fundos e, inevitavelmente, vão vasculhar as nossas contas. No fim, isso pode nos comprometer. Então, eu estava pensando... por que não jogamos uma isca para o Evandro? Se ele morder, poderemos jogar toda a culpa desses esquemas sujos em cima dele, e o senhor, Sr. Machado, sairá ileso.
Roberto ponderou sobre as palavras do secretário.
Desde que Cícero o forçara a renunciar, tudo parecia dar errado, com problemas explodindo por todos os lados.
Se houvesse uma investigação rigorosa, ele não conseguiria escapar.

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