Elisa era sensível, mas tinha uma personalidade ligeiramente mais fraca, e em decorrência disso, o pânico tomou conta dela durante a situação.
Eduarda agarrou as mãos da amiga e sentiu o toque ficar absurdamente frio.
Eduarda, decerto, também estava amedrontada, mas o terror não serviria de resolução para nada naquele instante. Era necessário que se mantivesse lúcida a fim de considerar o seu próximo passo.
Ela não poderia entrar em pânico.
O carro gradualmente acelerou, e o ambiente ao seu redor passou a ficar mais infértil; o mal-estar dentro de Eduarda começou a se amplificar.
Sua primeira reação era arrancar seu celular e contatar os policiais, mas precisaria fazer de maneira oculta para o "motorista" à sua frente não notar.
Mas quando enfiou a mão no breu para alcançá-lo, percebeu que sequer tinha acesso ao sinal de sua operadora.
O condutor falou sem ânimo: — Pare de desperdiçar sua energia. Vocês não conseguirão chamar a polícia. Instalei inibidores de sinal em todo o veículo, portanto, nenhum sinal para os celulares das senhoras.
Eduarda subconscientemente quis tomar posse do volante do homem, mas rapidamente recobrou a razão. A pessoa não deveria agarrar a direção por livre e espontânea vontade num veículo em pleno movimento. Nem mesmo um motorista habilidoso poderia evitar as fatalidades.
Eduarda forçou seu cérebro a permanecer tranquilo: — Quem é você e o que é que quer? Dinheiro? Darei toda a grana que quiser. Nos solte em liberdade, que fingiremos que nada disso ocorreu.
O motorista agiu como se o termo "dinheiro" fosse alheio aos seus interesses.
— Comportem-se!
A frase do chofer foi nada mais que um grito brutal, que no exato momento fez o jovem Wilmar debulhar-se em choro e medo.
Irritado com as lamentações, o homem vociferou um lamento cruel: — Cale a boca! Se chorar novamente serei obrigado a te matar em primeiríssimo lugar!
Elisa tremeu de forma absurda pela ameaça, mas percebeu que o condutor não queria de fato cometer assassinato contra ninguém; de modo impetuoso, tapou a boca do Wilmar de modo que barulho algum pudesse ser exalado.
Eduarda engoliu seco. Deu em si um beliscão e mais uma vez se obrigou a permanecer calma.
— O que é que quer, na verdade? Desembuche. Talvez possamos dar um jeito e realizar, viu? Não tome ações sem ter alguma garantia antes.
O condutor arfou: — Dá pra saber que é o bicho-papão entre as mulheres. Tem as manhas, admito!
— Você devia ter batido as botas naquele terrível acidente com as fortes chuvas. Por que não fecha esses olhos eternamente?
— Vamos casar. Pode tratar de sair de cena, porque já não precisa de atuar. Vá apodrecer no além! Agarre esse feto na sua barriga e desapareça do mundo para todo sempre!
— Ninguém dá a mínima pra ti; nem seus parentes, muito menos seu esposo ou até sua prole. O seu "eu te amo" é apenas poeira. Por que viver nessas condições? Assuma as trevas, e estará totalmente isenta e livre de todos...
O ambiente da Eduarda subitamente pintou-se das cores do véu da escuridão e até suas cintilâncias do coração foram tomadas.
Iiiic —
O soar do freio soou, seguido por atritos ferozes e escaldantes entre a rua e os pneus do veículo.
A inércia moveu todas as ocupantes adiante da caminhonete com violência, e a claridade se refletiu novamente aos olhos dela.
Aproveitando o estado das passageiras, o motorista amarrou uma máscara contra respingos e prosseguiu a remover o fechamento de um pote que continha elementos adequados para anestesiar a consciência, fazendo o frágil corpo de Eduarda ficar em exaustão total.

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