Entrar Via

Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 705

Ouvindo aquela frase, Eduarda ficou imediatamente atônita.

Por um instante, ela achou que tivesse ouvido errado.

Eduarda perguntou: — O que você acabou de dizer?

Cícero ajeitou a sua postura perto da porta, arrumou a gola da blusa e aproximou-se em passos silenciosos até a moça.

Ele a observou em meio à penumbra e reafirmou: — Nós poderíamos nos casar de novo, Eduarda. O que me diz?

— Não acho nada bom. A sua proposta é muito bizarra. — Eduarda piscou os seus olhos brilhantes. — Se isso foi uma brincadeira, eu não vejo graça.

— Eu já tinha imaginado que você fosse falar isso.

Cícero deu um sorriso carregado de uma amargura incontestável.

— Como você já sabia da minha resposta, não acha ridículo me perguntar mesmo assim? — Eduarda lançou um olhar espantado sobre o rosto de Cícero.

Ela se perguntava como é que ele havia conseguido pronunciar as palavras "casar de novo".

Isso soava muito estapafúrdio para ela.

A respiração de Cícero encheu-se de pesados suspiros.

— Tudo bem, não vamos falar da parte emocional, focando-nos apenas nos fatos. — O olhar nebuloso de Cícero dissipou-se. — A saúde do vovô piora a cada dia. Eu também já avisei que ele está redigindo o testamento, e a partilha da herança será para todos os membros da família Machado. Seja o que for, todos receberão parte do patrimônio dele. A única questão será a quantidade de bens concedidos.

Cícero acomodou-se em sua cadeira e levantou a cabeça para admirar a encantadora silhueta da mulher que estava à sua frente.

— Por mais que agora nós dois estejamos morando juntos por causa das questões do tio Roberto e que os outros vejam que você também é minha mulher, no aspecto legal, Eduarda, você já não tem nenhum vínculo com a família Machado.

— Se eu trouxe a ideia de nos casarmos de novo foi porque, caso retorne para a nossa família, o vovô também irá incluí-la como uma de suas herdeiras, afinal esses bens também eram seus por direito e eu gostaria de devolvê-los para você.

Ouvindo aquilo, Eduarda ponderou a situação.

O raciocínio de Cícero tinha sentido, pois o bolo permanecia estático, enquanto o indivíduo designado para dividi-lo estava sujeito a ser trocado em qualquer ocasião.

Todavia, tudo aquilo no fundo seria impossível.

Sendo bastante direta, Eduarda afirmou: — Não, eu não me recordo de nada. E mesmo que houvesse, aposto que não são tantas assim. Perto dos prejuízos que você me causou, as melhores memórias seriam deterioradas.

O local mais brando e delicado de sua alma fora dilacerado impiedosamente, ao que Cícero estremeceu de aflição.

— Além disso, separar também deu o maior trabalho, ou vai me dizer que não?

— Aham, você tem razão, não quero mais te incomodar, bom descanso para você, boa noite.

Eduarda notou que Cícero não insistira mais nada, mas que, pelo contrário, saiu do seu recinto em silêncio.

O ambiente mergulhou mais uma vez na penumbra, e Eduarda afundou-se por algum tempo em meditações para depois pegar a sua camisola e dirigir-se até o aposento do fundo.

Na manhã seguinte, ao chegar no restaurante para fazer a sua refeição, Eduarda não viu a sombra de Cícero.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes